Dividida, Otan procura resolver diferenças sobre papel na Líbia

A Otan tentou novamente nesta terça-feira resolver divergências quanto a quem deve assumir o comando da campanha militar contra as forças de Muammar Gaddafi na Líbia depois que os Estados Unidos deixarem a liderança da operação.

DAVID BRUNNSTROM, REUTERS

22 de março de 2011 | 12h27

Sem querer envolver-se em outra guerra em mais um país muçulmano, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse na segunda-feira que Washington cederá o controle das operações dentro de alguns dias e que a Otan deve exercer um papel de coordenação.

Mas uma reunião acalorada de embaixadores da Otan na segunda-feira não conseguiu chegar a um acordo sobre se a aliança de 28 países deve comandar a operação para implementar uma zona de exclusão aérea ordenada pela ONU, informaram diplomatas.

O conselho da Otan retomou a discussão nesta terça e acordou uma ampliação limitada da missão da Otan, ativando um plano para que aviões de guerra da aliança implementem um embargo de armas da ONU contra a Líbia, disseram diplomatas da Otan.

Os países que lideram a campanha aérea são todos membros destacados da Otan, mas o papel operacional da Otan tem sido limitado até agora à vigilância aérea ampliada.

A França, que lançou os ataques aéreos iniciais sobre a Líbia no sábado, vem argumentando contra o controle político da Otan, que é liderada pelos EUA, sobre uma operação em um país árabe, e a Turquia pediu limitações a qualquer envolvimento da Otan.

Um diplomata da Otan disse que alguns aliados agora também estão questionando a necessidade de uma zona de exclusão aérea, em vista dos danos já impostos à capacidade militar de Gaddafi pelos ataques aéreos.

"A reunião de ontem ficou um pouco emotiva", disse o diplomata, acrescentando que a França argumentou que uma coalizão liderada pela França, Grã-Bretanha e Estados Unidos deve conservar o controle político sobre a missão, com a Otan fornecendo apoio operacional, incluindo capacidades de comando e controle.

"Outros estão dizendo que a Otan não deve exercer nenhum comando nem papel algum e que não faz sentido a Otan exercer um papel subsidiário", explicou o diplomata.

O chanceler turco Ahmet Davutoglu sugeriu que os ataques aéreos lançados após uma reunião em Paris comandada pela França no sábado teriam ido além do que foi sancionado por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU.

"Há decisões da ONU, e essas decisões têm um quadro claramente definido. Uma operação da Otan que extrapolar esse quadro não pode ser legitimada", disse ele ao canal de jornalismo CNN Turquia.

O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, disse que Grã-Bretanha ou França poderiam assumir o comando da operação aérea ou que a Otan poderia fazê-lo, desde que fossem acalmadas as sensibilidades da Liga Árabe em relação a atuar sob a liderança da Otan.

Mas alguns analistas e autoridades da Otan questionam se a França ou a Grã-Bretanha seriam capazes de coordenar uma missão aérea multinacional e complexa.

Ao argumentar contra um papel destacado para a Otan, a França citou a reputação negativa da aliança no mundo árabe em decorrência da guerra no Afeganistão e da percepção de que a Otan é dominada pelos Estados Unidos.

(Reportagem adicional de Paul Taylor e Ilona Wissenbach)

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