Divisão de Gaza e Cisjordânia é insustentável, diz enviado da ONU

Gaza e a Cisjordânia não podem semanter politicamente divididas, e um futuro Estado palestinodeve abrigar os dois territórios, disse o coordenador especialda ONU para o Oriente Médio nesta quarta-feira. Michael Williams disse ao Conselho de Segurança da ONU quetem havido "diversos avanços políticos importantes que dãomargem à esperança", mas alertou sobre "uma espiral econômicadescendente" na Faixa de Gaza. Ele recebeu bem as iniciativas internacionais que têm dadosuporte financeiro e político ao novo governo palestino formadopelo presidente palestino, Mahmoud Abbas, depois que a facçãosecular Fatah, à qual pertence o mandatário, perdeu o controleda Faixa de Gaza para o grupo islâmico Hamas durante batalhasocorridas no mês passado. Williams afirmou que uma nova investida diplomática dopresidente norte-americano, George W. Bush, e iniciativas pelapaz promovidas por países árabes também foram animadoras, assimcomo o encontro deste mês entre Abbas e o primeiro-ministroisraelense Ehud Olmert. Mas ele acrescentou: "É importante que o povo de Gaza nãoseja punido pela tomada de poder do Hamas". "Reabrir os postos de controle para evitar o colapso totalda economia de Gaza continua sendo uma prioridade", disse. Williams declarou que o fechamento da passagem de Karniinterferiu seriamente com o comércio em Gaza, interrompendoprojetos da ONU no valor de 213 milhões de dólares. Ele declarou ainda que o Banco Mundial estima que mais de75 por cento das fábricas de Gaza foram fechadas e mais de 68mil trabalhadores foram demitidos. "A menos que as passagens sejam abertas para importações eexportações, a espiral econômica descendente vai levar a jáempobrecida Faixa de Gaza a uma situação de extremosofrimento", afirmou. Para Williams, Abbas deveria tomar a dianteira pararesolver a situação. "No longo prazo, Gaza e a Cisjordânia não podem permanecerdivididas. Só há um futuro para o Estado palestino, e eleenvolve esses dois lados." "O presidente Abbas deve continuar a trabalhar para por fimà violência, desarmar as milícias palestinas e reformar asinstituições palestinas," concluiu.

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