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Divisões complicam planos para reunião nuclear no Oriente Médio

Encontro estabeleceria bases para fim das armas de destruição de massa na região

FREDRIK DAHL, REUTERS

08 de maio de 2012 | 14h43

VIENA - O diplomata ocidental encarregado da preparação de uma conferência este ano sobre como livrar o Oriente Médio de armas nucleares disse nesta terça-feira, 8, que ele ainda tinha que assegurar a participação necessária de todos os países da região, sem deixar claro quando o evento será realizado.

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A declaração do diplomata finlandês Jaakko Laajava é um sinal das dificuldades e sensibilidades envolvidas em fazer com que Israel, seu arquiinimigo Irã e outras nações do Oriente Médio aceitem sentar à mesma mesa para discutir o assunto polêmico.

Laajava, cuja nomeação foi anunciada pelas Organização das Nações Unidas em outubro passado, não disse quais países ainda não tinham assegurado a sua participação, mas acredita-se que Irã e Israel estejam entre eles.

O plano para uma reunião internacional em 2012 para estabelecer as bases para a possível criação de um Oriente Médio livre de armas de destruição em massa foi decidido em uma conferência de revisão sobre o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), há dois anos.

Em sua primeira reunião pública sobre o assunto desde que assumiu o cargo, Laajava disse que realizou uma série de reuniões com os países da região e eles compartilharam o objetivo de estabelecer essa zona, mas divergiram sobre como e quando fazê-lo.

"Infelizmente, embora muito já tenha sido de fato alcançado nessas consultas em termos de identificar um ponto em comum, ainda não posso informar que a conferência terá a participação de todas as nações da região", afirmou ele em um encontro do TNP, em Viena.

Laajava disse que a Finlândia está preparada para sediar a reunião a qualquer momento durante 2012, sugerindo que dezembro era uma possibilidade.

Egito adverte contra atraso

O Irã e os países árabes veem o assumido arsenal atômico de Israel como uma grande ameaça para a paz e a estabilidade no Oriente Médio.

O Estado judeu -que se acredita ser o único Estado da região com tais armas e é o único fora do TNP- e os Estados Unidos consideram o Irã como a principal ameaça de proliferação da região, acusando Teerã de tentar desenvolver tais armas.

Israel disse que iria assinar o TNP, um tratado voluntário de 1970 para evitar a disseminação de armas atômicas, e renunciar às armas nucleares apenas como parte de um amplo acordo de paz no Oriente Médio com países árabes e o Irã, que garantiriam a sua segurança.

Israel não descarta participar da conferência prevista, afirmou o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores Yigal Palmor, na semana passada, acrescentando que estava "à espera de esclarecimentos sobre algumas questões".

Thomas Countryman, subsecretário de Segurança Internacional e Não-Proliferação dos EUA, disse na reunião em Viena que um Oriente Médio livre de armas de destruição em massa era uma meta possível, mas a longo prazo.

Mas "um acordo abrangente e uma paz duradoura e com todos os países da região cumprindo com as suas obrigações de não-proliferação" são necessários para que isso aconteça, acrescentou ele.

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