Documento prevê afegãos no controle de segurança em 2011

O Afeganistão e a comunidade internacional estão prontos para entregar nesta semana um roteiro para que Cabul assuma sua própria segurança em uma grande conferência em Londres, indicou um comunicado obtido pela Reuters.

PETER GRAFF E SAYED SALAHUDDIN, REUTERS

24 de janeiro de 2010 | 17h06

Soldados afegãos podem administrar algumas províncias no início de 2011, com forças lideradas pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em um papel de suporte, abrindo o caminho para o início de uma retirada militar dos Estados Unidos em 18 meses.

O presidente afegão Hamid Karzai esta sob intensa pressão de seus defensores no Ocidente para reforçar e expandir as forças de segurança afegãs agressivamente em um momento no qual a violência piora.

Mas uma importante fonte de atritos entre os dois lados na conferência de Londres em 28 de janeiro, que visa estabelecer um cronograma para os países ocidentais começarem a retirada do Afeganistão, inesperadamente foi resolvida neste domingo.

Autoridades eleitorais afegãs anunciaram o adiamento das eleições legislativas de maio para setembro, satisfazendo diplomatas e críticos domésticos que querem tempo para evitar a repetição das fraudes que cercaram as eleições presidenciais do ano passado.

A conferência será a primeira aparição de Karzai diante de líderes ocidentais desde sua controversa reeleição, e ambos os lados esperam usar a reunião para revigorar sua imagem, afetada entre os países que mantêm 110 mil soldados no Afeganistão.

Uma cópia do esboço do comunicado antecipa que soldados afegãos podem assumir "a primazia da segurança" em algumas províncias no início de 2011, com forças estrangeiras em um papel de suporte, mostrou uma cópia do documento obtida pela Reuters.

O comunicado também compromete o Afeganistão a estabelecer --e o Ocidente a financiar-- um programa para "chegar aos insurgentes" e pagar aos combatentes para que baixem as armas.

Líderes ocidentais querem que Karzai faça mais para combater a corrupção, que estimula o apoio ao Taliban. Um relatório da ONU na semana passada descobriu que quase um quarto do PIB do Afeganistão é gasto em subornos.

A linguagem do texto sugere que a corrupção, no entanto, não será o principal assunto a ser discutido em Londres.

(Reportagem adicional de David Milliken em Londres)

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