Dominar Gaza foi um erro, diz líder do Hamas na Cisjordânia

"Enquanto estivermos sob ocupação, não devemos recorrer à força" contra os palestinos, afirmou dirigente

Wafa Amr, REUTERS

23 Julho 2007 | 19h13

Um dirigente do Hamas na Cisjordânia criticou nesta segunda-feira, 23, a forma como o grupo islâmico assumiu o controle da Faixa de Gaza à força e disse que parte do Hamas cogita formas de fazer as pazes com seus rivais do Fatah. Veja Também Chanceler israelense destaca momento crítico em visita de Blair Escritórios do Fatah em Gaza são invadidos Em comentários que segundo analistas revelam uma grande tensão dentro do Hamas, Ahmed Douleh disse que os líderes do grupo islâmico na Cisjordânia de início ficaram solidários com seus companheiros de Gaza no conflito contra forças supostamente corruptas dentro do Fatah. "Mas aí virou uma bola de neve. Certamente o resultado de acertar as contas à força foi errado", disse ele à Reuters um dia depois de ser libertado de uma prisão dirigida por seguidores do presidente Mahmoud Abbas, da Fatah, em Nablus, maior cidade da Cisjordânia. "Enquanto estivermos sob ocupação (israelense), não devemos recorrer à força", afirmou Douleh, de 44 anos. Funcionário do Ministério do Interior, ele é parte do grupo de dezenas de pessoas detidas desde que Abbas demitiu o gabinete de coalizão Hamas-Fatah, em junho, numa reação à expulsão das forças do Fatah de Gaza. Enquanto o Hamas agora governa Gaza, Abbas, com apoio do Ocidente, domina a Cisjordânia, que é muito maior e mais populosa. Ali, funcionários do Hamas estão sendo caçados e presos por forças do Fatah e por soldados israelenses que costumam invadir Nablus para prender militantes procurados. Fontes das forças de segurança de Abbas dizem que os funcionários do Hamas que estão sendo presos são suspeitos de ligação com a Força Executiva do Hamas na Cisjordânia. Em Gaza, o Hamas prendeu dezenas de funcionários do Fatah, mas já libertou a maioria. Douleh disse que funcionários do Hamas na Cisjordânia estão debatendo formas de manter um diálogo com o Fatah. "Certamente as consequências do que aconteceu em Gaza não são simples para o movimento, e a situação está piorando", afirmou Douleh, citando um aumento na pobreza no território litorâneo, cujo acesso Israel restringiu alegando preocupações de segurança.

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