Doze morrem na Síria no maior protesto até agora contra governo

Segundo grupos de diretos humanos, pelo menos 1,4 mil pessoas já teriam morrido em confrontos

KHALED OWEIS, REUTERS

15 de julho de 2011 | 10h49

AMà- Forças sírias mataram pelo menos 12 manifestantes nesta sexta-feira, 15, depois que centenas de milhares de pessoas saíram às ruas no país inteiro, no maior dos protestos até agora contra o presidente Bashar al-Assad.

Grupos de direitos humanos dizem que 1,4 mil pessoas já foram mortas desde o início das manifestações, em março. Apesar da violenta repressão, os protestos vêm atraindo cada vez mais gente. Em 40 anos no poder, nunca o Partido Baath havia sido tão desafiado.

 

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"Essas são as maiores manifestações até agora. É um claro desafio às autoridades, especialmente quando vemos todos esses números em Damasco pela primeira vez", disse Rami Abdelrahman, diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Testemunhas e ativistas disseram que a polícia matou cinco pessoas em Damasco, quatro no sul do país, perto da fronteira com a Jordânia, e três na cidade de Idlibm (norte).

"Estamos no (bairro de) Midan e estão disparando gás lacrimogêneo na gente, as pessoas estão entoando refrões", disse uma testemunha, falando por telefone do centro de Damasco -- onde até agora Assad tinha conseguido evitar grandes manifestações.

 

Hama

Em Hama, cenário de um massacre cometido por militares em 1982, imagens transmitidas ao vivo por moradores mostraram uma grande multidão na praça Orontos, a principal da cidade. "O povo quer derrubar o regime", gritavam os manifestantes.

Pelo menos 35 mil pessoas participaram dos protestos na desértica província de Deir al Zor, uma das mais pobres do país, no leste, segundo ativistas. Na véspera, dois manifestantes teriam sido mortos ali.

Além da polícia e do Exército, Assad mobilizou também uma milícia irregular conhecida como "shabbiha", ligada à seita minoritária alauita, um ramo do Islã xiita ao qual ele pertence. Os muçulmanos sunitas são o maior grupo na Síria.

Potências internacionais, inclusive a vizinha Turquia, já alertaram Assad a não repetir os massacres cometidos quando o presidente era o pai dele, Hafez al Assad, que reprimiu com violência rebeliões esquerdistas e islâmicas. Isso culminou com a morte de até 30 mil pessoas em 1982 em Hama.

Na sexta-feira passada, os embaixadores dos EUA e da França na Síria foram a Hama expressar seu apoio aos manifestantes. Três dias depois, essas embaixadas foram atacadas por partidários de Assad. Ninguém morreu nos ataques, que foram condenados pelo Conselho de Segurança da ONU.

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