É 'inaceitável' não poder distribuir ajuda em Gaza, diz ONU

Órgão suspendeu operações na região após ataque israelense matar funcionário em caminhão que levava auxílio

Agências internacionais,

08 de janeiro de 2009 | 18h42

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, considerou nesta quinta-feira, 8, "inaceitável" o fato de o organismo não poder distribuir ajuda em Gaza, após o ataque israelense contra um comboio da Agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA). A porta-voz da ONU, Michèle Montas, disse que o secretário-geral condena a ação das tropas israelenses contra os caminhões da agência que matou um de seus funcionários e forçou a suspensão de suas operações. Veja também:Brasil despacha ajuda; Amorim visitará Oriente Médio Hezbollah nega ter disparado foguetes contra Israel 'Crianças crescem em bunkers', diz brasileiro em Israel Hamas mata colaboradores e membros do Fatah, diz jornal Mísseis do Líbano contra Israel ameaçam 2º front da guerraTrégua por 3h é piada, diz ex-relator da ONU brasileiro Especial traz mapa com principais alvos em Gaza Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza Brasileiros que vivem na região falam sobre o conflito Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques      "A UNRWA se viu forçada a suspender a distribuição de alimentos por não poder garantir a segurança de seu pessoal. É inaceitável que a ONU não possa proporcionar assistência nesta crise humanitária que se está agravando", apontou Montas. A porta-voz assinalou que as informações das agências da ONU indicam que o ataque aconteceu durante a trégua de três horas proclamada pelos israelenses. Cidade de Gaza é atacada no 13.º dia da ofensiva israelense. Foto: AP Ban lembra que quatro funcionários da UNRWA morreram nestes 13 dias da ofensiva de Israel no território palestino, e ressalta que as Nações Unidas mantém estreitos contatos com as autoridades israelenses para investigar este e outros incidentes, e para adotar medidas urgentes que evitem sua repetição, disse Montas. "O secretário-geral faz de novo uma chamada por um cessar-fogo imediato que facilite o acesso humanitário completo e sem restrições (a Gaza), e permita aos voluntários trabalhar com segurança para chegar a todos os que necessitam de ajuda", acrescentou a porta-voz. O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, António Guterres, expressou nesta quinta sua solidariedade com o trabalho da UNRWA em Gaza e reiterou seu pedido de que os princípios humanitários sejam respeitados no conflito. "A população de Gaza nem sequer pode fugir para outro lugar", apontou Guterres durante um pronunciamento no Conselho de Segurança, em que apresentou o relatório anual sobre o trabalho de seu escritório.  A ONU já exigiu uma investigação sobre o ataque israelense a uma escola da instituição em Gaza, que matou quase 40 pessoas no início deste semana. Segundo Israel, militantes islâmicos estavam no local no momento do ataque., As Nações Unidas fornecem comida para cerca de 750 mil moradores de Gaza e comanda dezenas de escolas e clínicas médicas em todo o território. O órgão tem cerca de 9 mil empregados locais dentro de Gaza e um pequeno grupo de funcionários internacionais trabalhando no local.  Israel iniciou sua ofensiva em 27 de dezembro com a tentativa declarada de impedir os ataques de foguetes palestinos nas cidades do sul israelense. Funcionários de hospitais palestinos e trabalhadores de agências humanitárias dizem que mais de 700 pessoas já morreram em decorrência dos ataques israelenses e que quase metade desse número era de civis.

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