Egito diz não estar envolvido com pacto EUA-Israel sobre Gaza

Acordo prevê ajuda tecnológica americana para que Egito evite contrabando de armas para o Hamas

Da Redação, estadao.com.br, com Agências Internacionais

17 de janeiro de 2009 | 11h44

O ministro das Relações Exteriores do Egito, Ahmed Aboul Gheit, afirmou neste sábado, 17, que seu país não está comprometido com o pacto acertado entre Estados Unidos e Israel para interromper o contrabando de armamentos na Faixa de Gaza. "Não temos nenhum compromisso em relação a esse memorando", disse Aboul Gheit a jornalistas. Na sexta-feira, EUA e Israel assinaram um acordo para que os americanos forneçam assistência técnica para o Egito combater o contrabando de armas destinadas ao Hamas. O presidente do Egito, Hosni Mubarak, pediu ainda para que Israel encerre a ofensiva na Faixa de Gaza. O acordo entre Estados Unidos e Israel tem como objetivo garantir que os militantes do Hamas não se rearmem após o Estado judeu declarar um cessar-fogo unilateral na Faixa de Gaza. O "memorando de entendimento", como foi definido pela secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, foi assinado em Washington por ela e pela ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, e define que as tropas israelenses poderão permanecer no território palestino após Israel declarar o cessar-fogo unilateral.  O chanceler egípcio afirmou: "Os americanos e israelenses podem fazer o que quiserem na África ou em qualquer outro lugar. No Egito, não podemos comprometer nossas fronteiras". O presidente egípcio, Hosni Mubarak, fez um apelo no sábado para Israel encerrar suas operações militares na Faixa de Gaza imediatamente e afirmou que seu país vai convocar uma reunião pós-guerra para reconstrução do território. "Eu apelo a Israel pelo fim de suas operações militares imediatamente. E nós apelamos aos líderes que concordem com um cessar-fogo incondicional e pedimos a eles que retirem todas suas forças da região", disse ele em um pronunciamento à nação na TV. Um funcionário israelense afirmou que o gabinete de segurança, que se reúne neste sábado, deverá votar em favor de um cessar-fogo unilateral no encontro, depois da assinatura do memorando em Washington e do significativo progresso feito no Cairo. A votação ocorrerá nesta noite. Sob a proposta egípcia de cessar-fogo, a luta seria interrompida imediatamente por dez dias, mas as forças israelenses permaneceriam na Faixa de Gaza e nos cruzamentos de fronteira até que detalhes específicos sejam elaborados para a segurança nas passagens com o Egito e Israel. O objetivo deste ponto é garantir que o Hamas não contrabandeie armas para o território. O documento assinado, com duas páginas e meia, ressalta o papel que os EUA terão nesse processo, ao garantir a Israel o fornecimento de equipamento de vigilância e detecção, ajuda logística e de treinamento a Israel, ao Egito e outras nações que possam ser envolvidas no monitoramento das fronteiras marítimas e terrestres da Faixa de Gaza.

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