Egito nega envio de carta do presidente a Israel

Israel disse nesta terça-feira que recebeu uma carta do presidente do Egito, Mohamed Mursi, sinalizando a intenção de trabalhar pela paz do Oriente Médio, mas a Presidência egípcia posteriormente negou que a carta tenha sido enviada.

Reuters

31 de julho de 2012 | 19h28

Um funcionário israelense disse, sob anonimato, que o desmentido já era esperado, devido ao caráter delicado do assunto.

Mursi, político egresso do grupo Irmandade Muçulmana, tomou posse no mês passado como o primeiro presidente eleito livremente na história do Egito. A carta de terça-feira teria sido o primeiro contato dele com Israel.

"Estou interessado em exercer nossos melhores esforços para devolver o processo de paz do Oriente Médio ao seu trilho correto, a fim de obtermos segurança e estabilidade para todos os povos da região, inclusive o povo israelense", disse a carta, segundo versão divulgada por assessores do presidente de Israel, Shimon Peres.

Horas depois, um porta-voz de Mursi disse à Reuters que a carta “era "falsa". "O presidente Mursi não enviou nada a Israel", afirmou Yasser Ali.

Um funcionário do gabinete de Peres insistiu na autenticidade da carta. "Ela foi recebida pelo embaixador egípcio e entregue (à Presidência de Israel). A negativa era esperada, dada a elevada publicidade dada à carta na mídia israelense e egípcia."

A Embaixada do Egito em Israel não se manifestou.

Um segundo funcionário israelense disse, também sob anonimato, que a carta de Mursi transmitia "uma mensagem geral com um espírito positivo, mas não indicava nenhuma nova direção" nas relações bilaterais.

O Egito foi o primeiro país vizinho a Israel a selar a paz com o Estado judeu, em 1979, e a eleição de Mursi gerou uma grande expectativa sobre se o país manterá seus acordos internacionais.

(Reportagem de Maayan Lubell em Jerusalém e Yasmine Saleh no Cairo)

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