Egito reabre fronteira com Gaza para receber feridos

Israel diz preparar grande ofensiva contra o Hamas; premiê promete não recuar apesar de apelos internacionais

Agências internacionais,

02 de março de 2008 | 10h54

O Egito abriu sua fronteira com Gaza neste domingo, 2, para permitir o envio de material médico e a entrada de palestinos feridos na ofensiva militar israelense em curso no território. Israel afirmou ainda que dará continuidade a suas operações "contra as organizações terroristas" na Faixa de Gaza, segundo o primeiro-ministro Ehud Olmert, que rejeitou as críticas internacionais sobre o uso excessivo de força contra palestinos. Nos últimos cinco dias, a ofensiva contra o território já deixou mais de 100 mortos, 54 deles somente no sábado, e segundo fontes médicas palestinas, mais de 200 feridos.       Veja também: Veja as imagens  Análise: Hamas delira, e o governo de Israel expõe sua fraquezaAbbas suspende negociações de paz com Israel após ofensiva Casa Branca pede fim da violência no Oriente Médio Neste domingo, dezenas de feridos se amontoavam esperando as autoridades egípcias liberarem a travessia para o outro lado da fronteira. Autoridades médicas na Faixa de Gaza advertiram que os hospitais na região estão "à beira de um colapso", diante do grande numero de mortos e feridos nos ataques israelenses dos últimos dias. As instalações estariam sofrendo com falta de camas, equipamentos, medicamentos, agulhas e sangue e informam que não conseguem mais absorver o grande número de feridos nos ataques israelenses. Fontes do Hamas, movimento que controla a Faixa de Gaza, disseram que a passagem fronteiriça de Rafah foi aberta por motivos humanitários. Segundo as fontes, Egito também está enviando material médico e remédios para ajudar no atendimento aos mais de 200 palestinos que ficaram feridos desde que, na quarta-feira, teve início uma nova incursão israelense na Faixa de Gaza. "Israel não tem nenhuma intenção de recuar, ainda que só por um momento, dos combates contra as organizações terroristas", assegurou o primeiro ministro, ao abrir a reunião semanal de governo em Jerusalém. "Ninguém tem o direito moral de criticar Israel por exercer seu direito à autodefesa", afirmou. O Conselho de Segurança da ONU condenou o aumento da violência entre palestinos e israelenses, e decidiu se reunir de novo nesta segunda-feira para abordar a situação do Oriente Médio. A onda de violência dos últimos dias, antes restrita à Faixa de Gaza, já começa a se alastrar também para a Cisjordânia. Milhares de palestinos protestaram em diversas cidades da Cisjordânia, contra os ataques israelenses à Faixa de Gaza. Os choques mais violentos foram registrados na cidade de Hebron, onde centenas de palestinos se confrontaram com as tropas israelenses, que abriram fogo contra os manifestantes. Um adolescente palestino de 13 anos foi morto e 40 pessoas ficaram feridas. A incursão ocorreu em meio a ameaças do governo de Israel de lançar uma ampla invasão do território, do qual se retirou em agosto de 2005, para impedir o disparo diário de foguetes palestinos contra as cidades israelenses de Sderot e Ashkelon. Segundo autoridades do país, Israel foi alvo ontem de 48 foguetes, incluindo 3 de fabricação soviética - mais poderosos e precisos que os Qassam, produzidos pelos próprios palestinos. Fim das negociações O presidente palestino Mahmoud Abbas suspendeu no domingo as negociações de paz com Israel, exigindo o fim da ofensiva na Faixa de Gaza que já matou mais de 100 palestinos, muitos dos quais civis. Arye Mekel, porta-voz da negociadora chefe de Israel, a ministra das Relações Exteriores Tzipi Livni, qualificou de erro a decisão de Abbas e disse esperar que as conversações sejam retomadas "no futuro muito próximo". Uma menina palestina de 21 meses e três militantes morreram nos combates mais recentes na Faixa de Gaza, elevando o número de mortos palestinos em cinco dias de violência para mais de 100, segundo médicos. Manifestações anti-Israel explodiram na Cisjordânia ocupada, onde as forças israelenses perto da cidade de Hebron, confrontadas com pessoas atirando pedras, mataram a tiros um menino de 14 anos que usava na testa a faixa do Hamas, disseram testemunhas. Neste domingo, o papa Bento XVI fez um apelo pelo fim do conflito em Gaza, pedido para que os dois lados da disputa encerrem a onda de violência. "Reforço o meu apelo para autoridades israelenses e palestinas pelo fim da violência, unilateral e incondicional". O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, lamentou a morte dos civis, mas responsabilizou o Hamas pela violência. Ele também prometeu manter a ofensiva militar para proteger Israel. Na madrugada deste domingo, um ataque aéreo destruiu um prédio de escritórios usado pelo ex-primeiro-ministro Ismail Haniyeh, líder do Hamas. Segundo testemunhas, fragmentos de vidros do prédio deixaram cinco feridos. Moradores relataram que o confronto começou quando soldados israelenses entraram em Gaza para combater atiradores palestinos. Eles contaram que uma mãe preparava o café da manhã dos filhos quando foi atingida por disparos. Uma menina e seu irmão também foram mortos, quando um míssil caiu sobre um grupo de palestinos. Da Síria, o líder exilado do Hamas, Khaled Meshaal, disse que os israelenses "não serão enfrentados por dezenas de combatentes, mas por 1,5 milhão".

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