Egito recusa abertura da fronteira com a Faixa de Gaza

Presidente afirma que permitirá passagem apenas se comissão européia e da Autoridade Palestina voltar ao local

Associated Press e Reuters,

30 de dezembro de 2008 | 12h50

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, afirmou nesta terça-feira, 30, que não abrirá a passagem do país para a Faixa de Gaza a menos que a Autoridade Nacional Palestina (ANP), presidida por Mahmoud Abbas, volte a controlar a fronteira. O governo egípcio está sob forte crítica da comunidade árabe por se recusar a abrir a passagem de Rafah, ajudando no bloqueio israelense imposto ao território ocupado pelo Hamas.   Veja também: Israel rejeita trégua e diz que esta é 'só a 1ª fase' UE pede a Israel e Hamas que suspendam ataques   Lapouge: Israel quer restabelecer orgulho militar   Sete mil se alistam no Irã para atentados suicidas contra Israel Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos Veja imagens de Gaza após os ataques        Mubarak afirmou que abrir a fronteira do Egito apenas aumentaria a divisão entre a Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas, e a Cisjordânia, controlada pelo Fatah e pela Autoridade Nacional Palestina, de Abbas. "Não vamos aprofundar a divisão e a ruptura (entre palestinos) abrindo a passagem de Rafah sem a presença de observadores europeus e funcionários da ANP" no local, afirmou.   "Peço aos líderes israelenses que interrompam sua agressão contra este povo (palestino)", afirmou Mubarak em mensagem por ocasião do Ano Novo na qual confirmou que o governo do Cairo manterá fechado o posto fronteiriço de Rafah, o único entre Gaza e Egito. Líderes regionais pediram ao Egito que abra esse posto fronteiriço para aliviar a pressão dos palestinos de Gaza, que sofrem bombardeios desde o último sábado. A passagem só está aberta para o transporte de ajuda humanitária e de feridos.   Protestos na região cobraram por uma ação do Egito. No domingo, o líder do Hezbollah Hassan Nasrallah disse que o governo egípcio estava "fazendo parte de um crime" contra os palestinos e pediu pela abertura da passagem.   Israel rejeitou na terça-feira qualquer possibilidade de trégua com o Hamas na Faixa de Gaza antes que cessem os disparos de foguetes na região de fronteira. O país diz que seus ataques aéreos, os mais violentos em décadas, anunciam "longas semanas de ação militar". Forças terrestres israelenses concentravam-se na fronteira do enclave costeiro para uma possível invasão, enquanto caças israelenses seguiam no quarto dia de ataques contra alvos do Hamas, matando 12 palestinos. Entre as vítimas, há duas irmãs de 10 e 12 anos.     Autoridades médicas informam que o total de mortos chegou a 364 desde que Israel deu início aos ataques, no sábado. Há mais de 800 pessoas feridas. Uma agência da Organização das Nações Unidas disse que ao menos 62 dos mortos eram civis. Três civis israelenses e um soldado foram mortos por foguetes palestinos desde o início dos ataques aéreos.   A imprensa israelense citou o primeiro-ministro Ehud Olmert dizendo ao presidente Shimon Peres que a operação em Gaza está "no primeiro de vários estágios". A seis semanas de uma eleição, para a qual as pesquisas sugerem que o partido Likud, de direita, é o favorito, o governo de centro diz que os ataques visam colocar um fim aos ataques com foguetes.   A Organização das Nações Unidas pediu uma trégua imediata. O ministro do Interior israelense, Meir Sheetrit, no entanto, disse que "não há espaço para um cessar-fogo" com o Hamas antes que a ameaça dos disparos de foguetes seja removida. "O Exército israelense não deve parar a operação antes de acabar com a determinação dos palestinos, do Hamas, de continuar a disparar contra Israel", afirmou ele à Rádio Israel. Os militares israelenses "prepararam-se para longas semanas de ação", acrescentou Matan Vilnai, vice-ministro da Defesa.   O porta-voz do Hamas Fawzi Barhoum pediu que grupos palestinos respondam usando "todos os meios disponíveis" contra Israel, incluindo "operações de martírio", significando atentados suicidas. O Hamas tomou o poder da facção Fatah, do presidente palestino, Mahmoud Abbas, na Faixa de Gaza em combates em junho de 2007. O grupo rejeitou exigências internacionais para reconhecer Israel, renunciar à violência e aceitar acordos interinos de paz já existentes.   A maioria dos moradores do território de 1,5 milhão de habitantes, um dos mais densamente povoados da Terra, permaneceu em casa, em cômodos longe das janelas que podem se quebrar com os ataques aéreos contra edifícios do Hamas.

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