Ehud Barak diz que Irã nuclear não destruiria Israel

O Irã não será capaz de destruir Israel mesmo que obtenha armas nucleares, disse na quinta-feira o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, contrariando a tradicional postura do Estado judeu de apontar a República Islâmica como uma ameaça à sua existência.

DAN WILLIAMS, REUTERS

17 de setembro de 2009 | 19h38

"Neste momento, o Irã não tem uma bomba. Mesmo que tivesse, isso não o tornaria uma ameaça à existência de Israel. Israel pode destruir o Irã", disse Barak em uma entrevista a ser publicada na sexta-feira e à qual a Reuters teve acesso.

Líderes israelenses costumam citar com alarme as ambições nucleares do Irã, o apoio do país a guerrilhas islâmicas e as declarações ameaçadoras do presidente Mahmoud Ahmadinejad, que defendeu certa vez que Israel seja "varrido do mapa."

O primeiro-ministro direitista, Benjamin Netanyahu, que trouxe o centro-esquerdista Barak para a sua coalizão, disse estar de acordo com o seu ministro da Defesa, sinalizando uma possível mudança na retórica oficial de Israel, em um momento em que potências mundiais se preparam para retomar em outubro o seu envolvimento diplomático com o Irã.

Israel e o Ocidente suspeitam que o Irã esteja desenvolvendo armas nucleares, o que Teerã nega, alegando que seu interesse é apenas gerar eletricidade com fins civis. Presume-se que Israel tenha o único arsenal nuclear do Oriente Médio, algo que o governo nem admite nem nega.

Na entrevista a ser publicada pelo jornal Yedioth Ahronoth, Barak afirma: "Não acredito que estejamos à beira de um novo Holocausto."

"Digamos que a Arábia Saudita compre, em algum estágio, duas bombas. Isso não significaria que esteja tudo acabado para o país. Além do mais, acho que o Irã é um desafio para Israel e para todo o mundo. Agora é a hora de um esforço diplomático e de sanções mais duras."

Israel, que já bombardeou reatores nucleares do Iraque, em 1981, e da Síria, em 2007, sugere que poderia adotar ações preventivas desse tipo contra instalações nucleares iranianas se considerar que a diplomacia não irá trazer resultados. Os EUA tampouco descartam uma ação militar como último recurso.

"Eu gostaria de deixar claro que todas as opções estão em aberto. Não estamos retirando nenhuma opção da mesa", disse Barak na entrevista, cuja transcrição foi entregue por seu gabinete.

O Yedioth já havia publicado trechos da entrevista na quinta-feira, provocando uma repercussão positiva, ainda que cautelosa, por parte de Netanyahu.

"Acho que o que o ministro da Defesa quis dizer, algo que eu acredito, é que o Estado de Israel será capaz de se defender em qualquer situação," disse o premiê.

(Reportagem adicional de Allyn Fisher-Ilan)

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