Ehud Barak diz que Israel fará 'guerra sem trégua'

Chanceler israelense, Tzipi Livni, afasta a possibilidade de Israel reocupar o território

Redação com agências internacionais,

29 de dezembro de 2008 | 09h20

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, justificou os ataques à Gaza dizendo que a paciência de Israel se esgotou quando o Hamas lançou quase 150 foguetes contra o sul de seu território desde o fim do cessar-fogo de seis meses com o grupo, há dez dias.   Veja também: Israel ataca de novo e prepara invasão de Gaza; total de mortos vai a 307 Ministro israelense defende 'guerra sem trégua' Líder do Hamas está disposto a assinar cessar-fogo em Gaza Palestinos suspendem negociação de paz durante incursão Grupo iraniano registra voluntários para lutar contra Israel Obama acompanha ataques, mas não se pronuncia Conheça a história do conflito entre Israel e palestinosItamaraty condena 'reação desproporcional' de Israel   Ele afirmou que a ação em Gaza - que ganhou o nome de "Operação Chumbo Grosso" - deve continuar e poderá ser "aprofundada e ampliada, caso necessário". "Nós não temos nada contra o povo de Gaza, mas estamos em uma guerra sem trégua contra o Hamas e seus aliados", afirmou o ministro nesta segunda-feira. Ele disse ainda que o objetivo é terminar com as ações hostis contra os civis israelenses.   "Qualquer outra nação teria feito o mesmo" é o discurso oficial do governo israelense. Apesar da crítica internacional massiva contra a resposta com força desproporcional, é possível perceber a pressão doméstica que o governo sofre pela forma como lida com o Hamas.   'A culpa é do Hamas'   A chanceler israelense, Tzipi Livni, voltou a responsabilizar o Movimento Islâmico de Resistência Hamas pela ofensiva militar israelense contra o território palestino de Gaza. "Eu espero que a comunidade internacional, inclusive todo o mundo árabe, envie uma mensagem clara ao Hamas: ''A culpa é sua. A responsabilidade é sua. São vocês que estão sendo condenados. Vocês não vão obter legitimidade da comunidade internacional dessa maneira. A responsabilidade pelas vidas dos civis em Gaza está em suas mãos''", disse Livni durante entrevista ao programa Meet the Press, da rede norte-americana de televisão NBC.   A ministra disse que conversou no sábado com a secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, e que vem mantendo contato com líderes norte-americanos. Segundo Livni, um dos porta-vozes da Casa Branca, Gordon Johndroe, disse que "essa gente (Hamas) não passa de bandidos, e, por isso, Israel deve defender seu povo contra terroristas como o Hamas".   Em contraste, a Organização das Nações Unidas (ONU), a União Européia e a Rússia exortaram Israel a suspender imediatamente suas operações militares na Faixa de Gaza.   Livni afastou a possibilidade de Israel reocupar o território, de onde o país se retirou em 2006, afirmando que "não é este o objetivo" da ofensiva. Indagada se Tel-Aviv pretende retirar o Hamas à força do poder, Tzipi disse que "não dessa vez" - o Hamas governa o território há um ano e meio. A chanceler espera vencer o linha dura Binyamin Netanyahu para se tornar a próxima primeira-ministra israelense nas eleições de 10 de fevereiro.   Planejamento Diferente da resposta confusa e improvisada que Israel realizou contra o Hezbollah no Líbano, em 2006, a "Operação Chumbo Grosso" teve seis meses de planejamento secreto, segundo correspondentes e analistas ouvidos pelo jornal britânico The Guardian. A preparação mapeou bases e alvos importantes para atingir o âmago do Hamas. O gabinete da Defesa de Israel se reuniu durante 5 horas no dia 19 de dezembro e deixou o horário do primeiro ataque a ser determinado pelo ministro Ehud Barak. Armas avançadas Bombas, muitas e guiadas eletronicamente; mísseis de longo alcance e alta precisão; blindados protegidos por cascos cerâmicos e, aguardando na linha divisória, a poderosa Divisão Barak, tropa de elite do Exército. No ataque iniciado em Gaza há três dias, as forças israelenses estão usando equipamentos novos ou em versões de tecnologuia avançada.   É um sistema integrado. Sob o olho eletrônico do satélite militar Ofek-7 - lançado em julho ao custo de US$ 80 milhões - orbitando no limite de 600 km e enviando fotos, imagens digitais e dados estratégicos de toda a região, os supersônicos americanos F-16 Block 60, os mais novos da linha, lançam bombas inteligentes do tipo GBU-39, dotadas de guiagem a laser e navegação por satélite/GPS de alta definição. A GBU-39 é uma arma leve, de apenas 113 kg e 1,75 m, com capacidade para transportar o explosivo HE² de alta potência: os 23 kg a bordo da GBU-39 destroem uma casa. A versão de penetração atravessa 90 centímetros de concreto antes da detonação. A Boeing Company, fabricante, iniciou em setembro a entrega de um lote de mil unidades, mais simuladores, documentação técnica e instrução.   Dotada de asas, acionadas depois do lançamento, percorre de 20 km até 110 km em vôo planado para chegar ao alvo. O índice de erro é estimado em pouco mais de 50 centímetros. A capacidade permite que os caças disparem as bombas sem sair do espaço aéreo de Israel.   Não é o único recurso. A Força Aérea emprega artefatos do mesmo tipo, embora uma geração tecnológica mais antiga, de 250 kg a 900 kg, da família Paveway, fornecidos pelos EUA.   De acordo com o Ministério da Defesa israelense, no sábado foi bombardeado um "centro de atividades terroristas" na cidade palestina de Khan Yunis. A operação foi executada por um único F-16 usando um míssil Popeye-4, ar-terra, segundo o porta-voz Avi Benyahou. Desenvolvido conjuntamente pela israelense Rafael e a americana Lockheed-Martin, o Popeye integra dois sistemas de direção: satélite infra-vermelho, um navegador inercial e TV digital. É grande (4,82 m), pesado (1.360 kg), leva 340 kg de explosivos e tem alcance de 78 km. O prédio atingido, aparentemente uma mesquita, foi destruído.   A provável ação terrestre de Israel ficará por conta da Divisão Barak (Raio), denominação oficiosa de uma experimentada tropa de elite. O grupo, formado por 5 mil homens e mulheres, é o mesmo que esteve no sul do Líbano em 2006. Os times de assalto estão equipados com o tanque pesado Merkava IV, um gigante de 65 toneladas e quase 10 metros de comprimento. Redesenhado e com a couraça reforçada por blindagem cerâmica, o Merkava carrega um canhão de 120 mm preparado para disparar munição supersônica e cinética, feita de urânio exaurido. Extra-rígido, o projétil libera, no impacto, energia térmica acima de mil graus. A vanguarda da Barak usa blindados M-113, de 12 toneladas. A bordo, 2 tripulantes e 11 soldados equipados.

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