El Baradei diz que investigação do Irã está em 'beco sem saída'

Diretor-geral, que deixará o cargo da AIEA na segunda-feira, se disse desapontado com a falta de cooperação

Agência Estado, Associated Press e Efe,

26 Novembro 2009 | 11h47

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, declarou-se "desapontado" nesta quinta-feira, 26, com a ausência de resposta por parte do Irã a um uma tentativa de acordo sobre o combustível empregado em suas usinas nucleares.

 

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Ainda segundo ele, as investigações das denúncias segundo as quais o Irã teria buscado desenvolver armas nucleares chegou "a um beco sem saída" pelo que chamou de falta de cooperação por parte de Teerã.

 

"Estou desapontado porque o Irã até agora não concordou com a proposta original nem com as modalidades alternativas. E acredito que todas elas sejam equilibradas, justas e que ajudariam a amenizar as preocupações referentes ao programa nuclear iraniano", disse ElBaradei ao conselho diretor da AIEA, subordinada à Organização das Nações Unidas (ONU).

 

Segundo ElBaradei, as investigações sobre o programa nuclear iraniano "chegaram a um beco sem saída, a menos que Irã coopere plenamente". O órgão executivo da agência nuclear da ONU deve adotar entre até sexta-feira uma resolução condenatória ao Irã, a primeira em quase quatro anos.

 

ElBaradei, que deixará a direção da AIEA na segunda-feira depois de 12 anos no cargo, foi o mediador de um acordo segundo o qual a Rússia enriqueceria a maior parte de seu urânio como parte de ações de construção de confiança. O Irã, entretanto, tem rejeitado a possibilidade de ver seu urânio enriquecido no exterior e propôs uma troca simultânea de combustível dentro de seu território.

 

O enriquecimento de urânio é um processo essencial para a geração de combustível usado no funcionamento das usinas nucleares. Em grande escala, o urânio enriquecido pode ser usado para carregar ogivas atômicas.

 

Os EUA e alguns de seus aliados suspeitam que o Irã desenvolva em segredo um programa nuclear bélico. O Irã sustenta que seu programa nuclear é civil e tem finalidades pacíficas, estando de acordo com as normas do Tratado de não-proliferação Nuclear, do qual é signatário.

 

Após deixar o cargo na segunda-feira, o egípcio dará lugar ao japonês Yukia Amano.

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