ElBaradei chama de sensacionalismo alertas sobre guerra no Irã

O chefe da agência nuclear da Organizaçãodas Nações Unidas (ONU) disse na segunda-feira que as ameaçasde ação militar contra o Irã por causa do programa nuclear dopaís são sensacionalistas e prematuras, e indicou que medidaspara endurecer as sanções contra a República Islâmica podem sercontraproducentes. Mohamed ElBaradei discordou da advertência feita pelaFrança no domingo, dizendo que os franceses devem se prepararpara a possibilidade de uma ação militar para suspender oenriquecimento de urânio no Irã, programa que países doOcidente temem esconder um projeto para a fabricação de bombasatômicas. As potências ocidentais estão irritadas com o novo acordoentre ElBaradei e o Irã, que exige que os iranianos respondam aperguntas sobre pesquisas nucleares do passado, mas que nãotrata campanha de enriquecimento de combustível atômico. Elasacham que o Irã pode estar iludindo a Agência Internacional deEnergia Atômica (AIEA) para ganhar tempo e dominar atecnologia. "Temos de ter calma e não fazer sensacionalismo com aquestão iraniana", disse o Nobel da Paz ElBAradei sobre aadvertência do ministro das Relações Exteriores da França,Bernard Kouchner. Ele comparou a situação com a preocupação comas armas de destruição em massa no Iraque antes da guerra, em2003. Esse tipo de armamento nunca foi achado. ElBaradei ressaltou que os investigadores da agência nãoencontraram nenhuma evidência de "armamentização" doenriquecimento de urânio, embora o Irã ainda estejadificultando a realização de inspeções que descartariamtotalmente a possibilidade. No domingo, Koucher disse numa entrevista pela TV: "Temosde nos preparar para o pior. O pior, senhores, é a guerra." MasElBaradei afirmou que a guerra só pode acontecer em casosextremos, em que um país ataca o outro ou em que haja perigoiminente para a segurança internacional, e que mesmo assim sócom o apoio do Conselho de Segurança da ONU. É improvável que o conselho aprove uma ação desse tipo,embora os Estados Unidos já tenham acenado com uma açãounilateral. "Peço a todos que segurem as pontas até que executemos oprocesso (de transparência)", disse ele, lembrando que emnovembro vai dizer aos membros da AIEA se o Irã está ou nãohonrando o plano. "Se o Conselho de Segurança decidir adotar mais sanções, seachar que é uma forma de resolver a questão, é prerrogativadele. Mas acho que sozinhas as sanções não levarão a umasolução durável", disse ele.

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