Em Curitiba, morador de Gaza está impedido de voltar para casa

Impedido de embarcar pelos conflitos, comerciante não consegue falar com familiares na região há uma semana

Evandro Fadel, O Estado de S. Paulo

30 de dezembro de 2008 | 14h28

O comerciante Mazen Karim, de 38 anos, evita comentários mais ácidos contra Israel, como fazem outros descendentes árabes que se reuniram na noite de segunda-feira para uma manifestação em frente à mesquita muçulmana Iman Ali em Curitiba, mas não esconde a preocupação com os pais, irmãos, tios e primos que estão na Faixa de Gaza. Ele veio ao Brasil há cerca de dois meses para visitar parentes. Deveria se preparar para o retorno, mas agora não sabe quando isso acontecerá. "As fronteiras estão fechadas", lamentou.   Veja também: Militares israelenses recomendarão trégua de 48 horas em Gaza Egito recusa abertura da fronteira com a Faixa de Gaza Israel rejeita trégua e diz que esta é 'só a 1ª fase' UE pede a Israel e Hamas que suspendam ataques   Lapouge: Israel quer restabelecer orgulho militar   Sete mil se alistam no Irã para atentados suicidas contra Israel Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos Veja imagens de Gaza após os ataques      A última vez em que conseguiu falar com os familiares foi há cerca de uma semana, antes do início dos bombardeios mais pesados que agitam o Exército israelense e grupos extremistas do Hamas. "Agora todos os meios de comunicação estão inertes", disse o comerciante. Os ataques, que já tinham deixado pelo menos 360 mortos, não chegaram a surpreender Karim, que nasceu em Gaza. "A cada momento isso pode ocorrer, os atos de Israel são veementes tanto agora quanto antes", salientou.   Karim demonstra certo conformismo, em relação à vida que os cerca de 1,5 milhão de palestinos enfrentam no enclave de pouco mais de 360 quilômetros quadrados. "Não tem outra saída", ponderou. Mas é categórico ao declarar um 'não' quando perguntado se em algum momento sente medo por viver na conflituosa Gaza. A convicção de que o Estado palestino será conquistado é bem maior. O único lamento é em relação às atividades comerciais. "É muito difícil porque há embargos econômicos", afirmou.   O líder espiritual da comunidade muçulmana de Curitiba, xeque Mohamad Ebrahim, reuniu aproximadamente cem pessoas para um ato de protesto contra os ataques israelenses, na noite de segunda-feira, quando também comemoraram o início do ano novo de 1430. Com velas acesas eles ocuparam as escadarias da entrada da mesquita e ouviram a exortação do xeque, que falou apenas em árabe. "O islã não aceita pressão", destacou.   Ele conclamou os muçulmanos a divulgar o "massacre". "Todos têm uma forma de ajudar, todos têm que ter a consciência de relatar a verdade", acentuou. O xeque pediu ainda que sejam enviadas cartas, abaixo-assinados e mensagens eletrônicas para as autoridades egípcias, acusadas de apoiar Israel. "Gaza está firme e não retrocederá em sua posição", afirmou. Os muçulmanos de Curitiba pretendem reunir-se todas as noites para orações e manifestações a favor dos palestinos. Eles também foram convocados para fechar as portas do comércio na quarta-feira (31) entre as 11 horas e o meio-dia.      

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