Reuters/ arquivo
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Em greve de fome, repórter dos EUA é hospitalizada no Irã

Condenada por espionagem, Roxana intensificou jejum e deixou de beber água contra decisão da Justiça

Agência Estado e Associated Press,

04 de maio de 2009 | 10h59

A jornalista norte-americana Roxana Saberi, em greve de fome há duas semanas em protesto por sua prisão no Irã, foi brevemente hospitalizada após intensificar o jejum e se recusar a beber água, informou nesta segunda-feira, 4, o grupo Repórteres Sem Fronteira. O grupo que advoga pela liberdade de imprensa afirmou que Roxana, de 32 anos, foi levada da prisão Evin, na região de Teerã, para uma clínica na sexta-feira. Um dia depois, foi liberada da clínica após ingerir novamente água, afirma a entidade.

 

O pai de Roxana, nascido no Irã, viajou de volta ao país para visitar a repórter e pressionar pela libertação. Ele disse, no último mês, que ela bebia apenas água com açúcar, recusando-se a comer em protesto por sua sentença de oito anos de prisão, por supostamente espionar para os EUA.

 

O Repórteres Sem Fronteira afirmou que o pai dela, Reza Saberi, disse ao grupo no fim de semana que a jornalista parou de tomar água, após autoridades iranianas negarem que ela estivesse em greve de fome. "Depois disso, ela decidiu fazer uma greve de fome completa", disse Soazig Dollet, do grupo sediado em Paris. "Ela estava realmente fraca e foi para uma clínica na prisão por um dia, mas não mais que um dia."

 

Roxana, que tem cidadania norte-americana e iraniana, vive no Irã há seis anos. Ela nasceu nos EUA e foi criada em Fargo, Dakota do Norte. Inicialmente, ela foi acusada de trabalhar sem as credenciais da imprensa, mas as autoridades fizeram depois acusações mais sérias, afirmando que ela passou dados de inteligência para os EUA. Ela foi condenada por espionagem após um julgamento de um dia, a portas fechadas.

 

O governo do presidente Barack Obama qualificou as acusações como infundadas e exigiu a imediata libertação da repórter. O caso tem sido fonte de tensão entre os EUA e o Irã, no período em que a administração Obama busca se aproximar de Teerã, após décadas de impasse diplomático.

 

Roxana trabalhava como freelancer para alguns meios, entre elas a National Public Radio e a British Broadcasting Corp (BBC). Autoridades iranianas prometeram uma revisão justa da apelação, ao mesmo tempo em que pedem o fim do que consideram interferência de grupos como o Repórteres Sem Fronteira.

 

Quatro membros do grupo de jornalistas iniciaram uma greve de fome, há uma semana, em apoio a Roxana. Nesta segunda-feira, em Teerã, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Hasan Qashqavi, disse que o protesto não era bem-vindo. "O Judiciário do Irã é um organismo independente e qualquer tentativa estrangeira de interferir nele vai contra as normas internacionais", afirmou. "Esse não é um caso complicado", disse o porta-voz. "Essa senhora iraniana obteve uma sentença e deve esperar e ver o veredicto que a corte de apelações divulgará."

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