Em Israel, Bento XVI pede a criação de um Estado palestino

Declarações do papa pode colocá-lo em desacordo com anfitriões, enquanto busca melhor relação com judeus

Agências internacionais,

11 de maio de 2009 | 11h58

Pouco depois de iniciar a visita ao Estado de Israel, o papa Bento XVI pediu nesta segunda-feira, 11, a criação de um Estado palestino independente, posição que pode colocá-lo em desacordo com seus anfitriões em uma viagem que busca melhorar as relações entre o Vaticano e os judeus.

 

Bento XVI usou seu primeiro discurso em Israel para relembrar os 6 milhões de judeus mortos pelos nazistas e para tentar apagar a má impressão deixada pela reintegração de um bispo que negou o Holocausto. "Tragicamente, o povo judeu experimentou as terríveis circunstâncias das ideologias que negam a dignidade fundamental de cada pessoa humana", disse ele no aeroporto Ben-Gurion, em Tel Aviv. "Terei a oportunidade de honrar a memória dos 6 milhões de judeus vítimas da Shoah, e de rezar para que a humanidade nunca mais testemunhe um crime de tal magnitude", disse o papa, usando a palavra hebraica para o Holocausto

 

Durante a visita de cinco dias, o papa visitará o monumento que lembra o Holocausto e alguns locais sagrados de Israel e dos territórios palestinos. A visita gerou uma grande controvérsia em Israel, porque o papa passou algum tempo na Juventude Hitlerista, quando adolescente. Bento já disse que foi obrigado a integrar o grupo - ele nunca foi nazista. O papa deve ir à Cisjordânia na quarta-feira.

 

Em seus primeiros comentários públicos, o papa pediu para que israelenses e palestinos "explorem toda forma possível" para resolver suas diferenças. "As esperanças de numerosos homens, mulheres e crianças para um futuro mais seguro e estável depende do resultado das negociações de paz", afirmou. "Junto com as pessoas de boa vontade e o mundo todo, peço para todos os responsáveis para que explorem todas as vias possível em busca de uma solução justa para as dificuldades, para que os dois povos possam viver em paz com sua própria pátria, com fronteiras seguras e reconhecidas internacionalmente".

 

Ainda que Bento XVI tenha falado anteriormente em favor de um Estado palestino, o momento e o lugar de seus comentários são notáveis. O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, que estava na recepção ao pontífice, se nega a apoiar publicamente uma solução de dois Estados.

 

Bento XVI é o segundo papa que faz uma visita oficial a Israel. Antes, João Paulo II fez uma peregrinação pela Terra Santa no ano 2000. O papa deve falar com muito cuidado durante esta viagem, pois já foi alvo de críticas duras tanto de muçulmanos como de judeus. Na Jordânia, Bento disse que tinha um "profundo respeito" pelo Islã e visitou a maior mesquita do país.

 

O pontífice enfureceu muitos muçulmanos há três anos, quando citou um texto medieval qualificando alguns dos ensinamentos do Islã do profeta Maomé como "malignos e desumanos", particularmente "sua ordem de difundir a fé pela espada". Em seguida, lamentou o fato de a citação ter ofendido os muçulmanos.

 

Já entre os judeus, o papa foi criticado no início do ano, após revogar a excomunhão de um bispo ultraconservador que negou a existência do Holocausto. Ainda nesta segunda-feira, o papa levará uma oferenda de flores ao Monumento Memorial do Holocausto.

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