Em Israel, McCain se diz preocupado com Irã e Hamas

O candidato a presidente dos EstadosUnidos, John McCain, chegou na terça-feira a Israel, numa etapade uma visita oficial ao Oriente Médio, mas que também pode lherender votos de judeus norte-americanos. McCain, que participa de uma comitiva de senadores, visitouo memorial do Holocausto Yad Vashem e em seguida se reuniu como presidente do país, Shimon Peres, para discutir a questãonuclear do Irã e o apoio do governo iraniano a militantespalestinos. "O senador McCain expressou sua preocupação com oenvolvimento iraniano na região e lembrou que o Irã financia eajuda grupos extremistas. Ele acrescentou que sua atual viagemao Oriente Médio reforçou esta preocupação", disse notadivulgada pelo gabinete de Peres. O candidato republicano só deve fazer declarações públicasdepois de se encontrar com o primeiro-ministro Ehud Olmert, naquarta-feira. Numa entrevista prévia, porém, ele manifestoupreocupação com o futuro do processo de paz na região. "Estamos muito preocupados com os ataques de mísseis(lançados por palestinos da Faixa de Gaza) contra Israel, eestamos preocupados com a entrada de Israel em Gaza", disse eleao jornal Yedioth Ahronoth. "Há uma situação muito difícil na região. Há tensão entreIsrael e os palestinos, e quero verificar as oportunidades paraajudar", afirmou o senador, de 71 anos, que foi prisioneiro deguerra no Vietnã. Ele diz que está no Oriente Médio como senador, e não comocandidato governista à sucessão de George W. Bush, que é vistopor muitos em Israel como um dos maiores defensores que oEstado judeu já teve. Embora McCain tenha várias discordâncias em relação a Bush,inclusive em questões de política externa, ele sempre foientusiasta da guerra do Iraque e defende atitudes duras contrao Irã, o que agrada a muitos israelenses. A imprensa israelense especula que os pré-candidatosdemocratas Barack Obama e Hillary Clinton também devem visitarIsrael nas próximas semanas. MCCAIN SE CORRIGE Durante uma entrevista a jornalistas em Amã, capital daJordânia, McCain disse que o Irã (país predominantemente xiita)apóia a rede Al Qaeda, que é sunita. Na realidade, autoridades norte-americanas acreditam que oIrã está apoiando extremistas xiitas no Iraque. "Bem, é de domínio público e tem sido divulgado pela mídiaque a Al Qaeda está voltando ao Irã, recebendo treinamento e,depois, retornando para o Iraque, a partir do Irã. Isso éconhecido e é uma desgraça", afirmou McCain. O senador independente Joe Lieberman, que integra acomitiva, cochichou alguma coisa no ouvido dele, e McCainrapidamente se corrigiu. "Desculpe. Os iranianos estão treinando os extremistas, nãoa Al Qaeda. Não a Al Qaeda. Desculpe." Os democratas rapidamente aproveitaram para criticarMcCain, um forte aliado do governo George W. Bush em suadecisão de invadir o Iraque, em 2003. "Depois de oito anos de incompetência do governo Bush noIraque, os comentários de McCain não dão ao povo americanorazão para crer que se pode acreditar que ele ofereça um clarocaminho adiante", disse a diretora do Comitê Nacional deComunicações dos Democratas, Karen Finney. (Reportagem adicional de Avida Landau)

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