Em Israel, Rice reconhece dificuldades no processo de paz

Visita de dois dias é a sétima que secretária de Estado americana realiza ao Oriente Médio desde novembro

Efe,

25 de agosto de 2008 | 16h36

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, iniciou nesta segunda-feira, 25, uma visita a Israel e aos territórios palestinos para impulsionar o processo de paz, embora tenha reconhecido as dificuldades em se obter um acordo antes do final do ano. A visita de dois dias é a sétima que a chefe da diplomacia americana realiza à região desde novembro, quando israelenses e palestinos retomaram as negociações de paz na conferência de Anápolis, nos Estados Unidos.   O objetivo que estabeleceram na ocasião foi o de desenvolver o máximo esforço para alcançar um acordo antes do fim do mandato do presidente George W. Bush, em janeiro de 2009. Segundo a imprensa local, Rice tenta pressionar para que antes dessa data possa ser apresentado um acordo que reúna aqueles princípios com os quais israelenses e palestinos chegaram a um entendimento.   Rice disse aos jornalistas que viajaram com ela para Israel, que durante a visita insistirá junto às partes sobre a necessidade de continuar dando passos em direção à paz, e que deixem de lado as deliberações em torno de um documento com o único objetivo de demonstrar acordos parciais. "Seguimos tendo o mesmo objetivo, que é alcançar um acordo antes do final do ano", afirmou a secretária de Estado que, no entanto, reconheceu que se vivem momentos complicados na região.   Tendo em vista que os nove meses transcorridos desde o relançamento do diálogo não resultaram em nenhum progresso, nos últimos dias acumulam-se especulações de que o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, tentaria salvar sua imagem pública, severamente danificada por casos de corrupção, através de um acordo. No entanto, analistas políticos do jornal Haaretz destacam que nem sua chanceler e chefe da equipe negociadora israelense, Tzipi Livni, nem o ministro da Defesa e líder trabalhista, Ehud Barak, têm tanta urgência nesse ponto.   Segundo o jornal, os dois ministros têm como prioridade o período político que se aproxima, com as primárias do partido governante Kadima em setembro e com a possível antecipação das eleições gerais. A Autoridade Nacional Palestina (ANP) também não parece estar interessada em alcançar um acordo interino com Israel.   "Apesar de pensarmos que o governo dos EUA fez o maior esforço possível, não vamos aceitar qualquer acordo, nem uma declaração de princípios ou proposta que não inclua questões como Jerusalém ou os refugiados", declarou à Agência Efe uma fonte da Unidade de Apoio das Negociações da Organização para Libertação da Palestina (OLP).   É o que o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, pretende demonstrar na terça-feira a Rice na cidade cisjordaniana de Ramala. Nesta segunda ele afirmou que "não haverá paz", e que não "descansará até que todos os prisioneiros palestinos (cerca de dez mil) sejam libertados por Israel."   A declaração do líder palestino ocorreu pouco após Israel ter libertado, horas antes da chegada de Rice, cerca de 200 presos palestinos, todos do partido nacionalista Fatah, liderado por Abbas. Após aterrissar no aeroporto de Ben Gurion, próximo a Tel Aviv, Rice se reúne nesta segunda, em Jerusalém, com Ahmed Qorei, chefe da equipe de negociação palestina, para depois participar de um jantar de trabalho com Barak.   No início da terça-feira, Rice se reunirá com Olmert e com a chanceler Livni. Pouco antes de deixar a região na terça-feira à tarde, Rice terá um encontro com os dois negociadores principais, Livni e Qorei.

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