Em meio a cerco, Israel destrói prédio do Hamas em Gaza

Edifício estava vazio no momento do ataque; segundo fontes hospitalares, uma mulher morreu na explosão

NIDAL AL-MUGHRABI, REUTERS

18 de janeiro de 2008 | 13h42

Israel fechou nesta sexta-feira, 18, os postos de fronteira com a Faixa de Gaza e destruiu o prédio do Ministério do Interior comandado pelo Hamas em um suposto ataque aéreo, intensificando o que descreveu como uma "guerra" para impedir o lançamento de foguetes por militantes palestinos.  O complexo de quatro andares do ministério, na cidade de Gaza, estava vazio na hora da investida. Mas uma mulher morreu e ao menos outras 30 pessoas ficaram feridas na explosão de grandes proporções, afirmaram dirigentes de hospitais.  Essa é a primeira vez que Israel lança um ataque contra um prédio de governo desde que o Hamas, um grupo islâmico que não reconhece o estado judeu, assumiu o controle da Faixa de Gaza, em junho, quando expulsou dali as forças do grupo secular Fatah, leal ao presidente palestino, Mahmoud Abbas.  Na quinta-feira, 18, o premiê israelense, Ehud Olmert, classificou a ofensiva israelense como uma "guerra" contra os palestinos do Hamas. "Uma guerra está em curso no sul, todo dia, toda noite", disse ele em discurso em Tel Aviv. "Não podemos e não vamos tolerar estes disparos incessantes contra cidadãos israelenses, então vamos continuar operando. Esta guerra não vai parar."  O fato de Israel ter intensificado suas operações militares na Faixa de Gaza ameaçava, segundo os palestinos, as negociações de paz realizadas entre Abbas e Olmert. O processo conta com o incentivo do presidente dos EUA, George W. Bush.  Desde segunda-feira, 14, Israel matou mais de 30 palestinos no território. O Exército israelense diz estar investindo contra os militantes responsáveis por disparar mais de 110 foguetes na direção do Estado judeu apenas nos últimos três dias.  Na cidade de Nablus (Cisjordânia), soldados de Israel mataram um militante ligado ao movimento Fatah.  Fronteiras fechadas O Ministério da Defesa de Israel afirmou na sexta-feira ter determinado o fechamento de todos os postos de fronteira da Faixa de Gaza, impedindo a distribuição de material de ajuda enviado pela Organização das Nações Unidas (ONU).  Somente os carregamentos humanitários que recebessem a aprovação pessoal do ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, poderiam atravessar aqueles postos, afirmou o órgão.  "Se estiver faltando leite na Faixa de Gaza, o ministro será instado a aprovar o envio de leite. E o produto ingressará no local", disse um porta-voz do ministério.  O território palestino abriga 1,5 milhão de pessoas, a maior parte delas dependente da ajuda internacional.  Crítica da ONU "A Faixa de Gaza está totalmente fechada. Isso apenas fará com que piore ainda mais uma situação já horrenda", afirmou Christopher Gunness, porta-voz da UNRWA, uma agência da ONU que distribui alimentos para refugiados palestinos.  Israel limitou enormemente o envio de produtos não humanitários para o território desde que o Hamas assumiu o comando da área.

Tudo o que sabemos sobre:
IsraelFaixa de Gaza

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.