Em meio a crise, tribunal indicia suspeitos por morte de Hariri

O promotor do tribunal especial que investiga a morte do ex-premiê libanês Rafik al-Hariri apresentou na segunda-feira o indiciamento preliminar dos suspeitos pelo crime, ocorrido em 2005.

MARIAM KAROUNY, REUTERS

17 de janeiro de 2011 | 18h49

O funcionamento da corte, patrocinada pela Organização das Nações Unidas (ONU), provocou uma crise política no Líbano, levando o grupo xiita Hezbollah e seus aliados a derrubarem a coalizão que era comandada por Saad al-Hariri, filho do político assassinado.

Líderes regionais se reuniram na segunda-feira na Síria para discutir a crise e tentar evitar que o Líbano mergulhe em uma fase de violência.

O conteúdo do indiciamento, que agora será revisto pelo juiz de instrução Daniel Fransen, não foi revelado. A divulgação dos nomes envolvidos deve levar seis a dez semanas, prazo para que Fransen decida se há base para iniciar um julgamento.

Mas autoridades libanesas e diplomatas ocidentais preveem que membros do Hezbollah estarão entre os acusados. O Hezbollah nega qualquer envolvimento com o crime, e aponta o tribunal internacional como uma "ferramenta israelense."

A recusa de Saad al-Hariri em parar de colaborar com o tribunal levou o Hezbollah a derrubar a coalizão.

"O promotor do tribunal submeteu um indiciamento e materiais de apoio ao juiz de instrução", disse a corte em nota.

O Hezbollah não quis comentar o fato, mas a TV Al Manar, ligada ao grupo xiita, afirmou em seu telejornal que os EUA estimularam a divulgação do documento para sabotar os esforços por uma resolução da crise libanesa.

"Os norte-americanos controlam os indiciamentos em sua forma e conteúdo," disse a emissora.

A crise libanesa reflete rivalidades étnicas, religiosas e políticas bem mais amplas. O Hezbollah tem apoio da Síria e do Irã, enquanto Hariri conta com apoio saudita e ocidental.

Falando antes da reunião em Damasco com os líderes da Síria e do Catar, o primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, disse que a instabilidade do Líbano preocupa todo o Oriente Médio.

"Nossa região não pode lidar com a entrada do Líbano em uma nova atmosfera de incerteza", declarou.

Síria e Arábia Saudita já haviam tentado, sem sucesso, mediar uma solução.

A agência de avaliação de risco Moody's disse que a crise no Líbano pode ameaçar a estimativa de crescimento econômico de 5 por cento neste ano no país, além de reduzir os lucros dos bancos locais.

(Reportagem adicional de Tulay Karadeniz, em Ancara; de Humeyra Pamuk, em Abu Dhabi; de Khaled Yacoub Oweis, em Damasco)

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