Em meio a diálogo, Turquia aumenta pressão sobre o Iraque

Diplomacia iraquiana tenta evitar a incursão turca; Ancara confirma morte de mais 34 rebeldes na terça-feira

Agências internacionais,

25 de outubro de 2007 | 11h32

Representantes iraquianos fazem nesta quinta-feira, 25, o que pode ser uma das últimas tentativas diplomáticas de diálogo com a Turquia para tentar impedir uma incursão do Exército turco no norte do Iraque. A conversa acontece no mesmo dia em que o presidente turco, Abdullah Gul, voltou a afirmar que Ancara está perdendo a paciência com os rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e que o premiê Tayyip Erdogan declarou que somente o governo turco decidirá por qualquer tipo de ofensiva no país vizinho.   Veja também: Iraquianos visitam Turquia para discutir crise Entenda o conflito entre turcos e curdos  ''Turquia tem direito de defender-se''   Turquia pode ignorar apelos e lançar ofensiva   Respondendo a perguntas de repórteres durante visita à Romênia, Erdogan também afirmou que deseja a participação dos EUA como aliados estratégicos contra os rebeles. Segundo fontes oficiais turcas - que pediram para não ser identificadas -, o Exército turco está na fase preparatória para uma operação em grande escala no norte do Iraque.   Tropas turcas confirmaram nesta quinta que mataram mais de 30 rebeldes curdos que preparavam um ataque a uma unidade militar na fronteira com o Iraque na última terça-feira. A informação foi confirmada por uma nota do Exército do país.   Segundo o Exército, os rebeldes foram mortos enquanto fugiam para o território iraquiano. Com o comunicado, o número de militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) sobe para pelo menos 64, de acordo com a contagem do Exército.   Em seu site, o comando militar turco afirmou que um "grande grupo de terroristas" estava se preparando para atacar uma base militar na localidade de Semdinli, na província de Hakkari, e as tropas turcas contiveram a tentativa com um ataque promovido com tanques e unidades de artilharia.   Os bombardeios se seguiram à morte de 12 soldados turcos em um ataque de rebeldes do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão, na sigla em curdo), no último domingo. Uma delegação iraquiana deve visitar Ancara nesta quinta-feira, 25, a fim de buscar uma solução para a crise gerada pelos ataques de rebeldes curdos contra soldados turcos na fronteira.   Ergodan também acusou o PKK de controlar o tráfico de entorpecentes em suas zonas de influência, e disse que essa organização, considerada terrorista pela União Européia e pelos EUA, está instalada nos países do bloco europeu sob diversas siglas.   Ancara mobilizou até 100 mil soldados para a área da fronteira preparando-se para uma possível operação contra os 3.000 rebeldes do PKK, que usam o norte do Iraque para lançar ataques contra a Turquia.   A pressão pública para as autoridades turcas agirem aumentou desde que os rebeldes mataram 12 soldados durante confrontos no último fim de semana. Caças turcos bombardearam na quarta-feira várias posições de rebeldes em território iraquiano, segundo a agência semi-oficial de notícias Anatólia.   Fontes do serviço iraquiano afirmam também que caças F-16 já haviam realizado, no domingo, incursões de 20 quilômetros dentro do território iraquiano, bombardeando campos de treinamento da guerrilha curda, enquanto 300 soldados avançavam cerca de 10 quilômetros no norte do Iraque.   O Parlamento turco autorizou na semana passada o Exército a lançar ofensivas contra os rebeldes no Iraque. A Turquia enviou mais de 100 mil soldados a fronteira e advertiu que lançará uma grande incursão no Iraque contra os separatistas curdos a menos que as forcas iraquianas e americanas contenham o PKK.

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