Em nova mensagem, Kadafi nega ter fugido e promete resistir

Ditador novamente chama seus seguidores a defender a líbia dos 'ratos e cães vadios'

Reuters

08 Setembro 2011 | 17h51

TRÍPOLI - O ditador da LìbiaMuamar Kadafi, enviou uma nova mensagem aos líbios nesta quinta-feira, 8, negando que ele tenha fugido do país e chamando de "ratos" e "cães vadios" os membros do governo rebelde que expulsou ele e suas tropas de Trípoli.

 

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A mensagem foi transmitida pela emissora síria de TV Arrai e anunciada como sendo ao vivo. "Não iremos deixar nossa terra ancestral (...). Os jovens agora estão prontos para ampliar a resistência contra os ratos em Trípoli e para acabar com os mercenários. Nosso resoluto povo líbio: a terra líbia é sua. Os que tentam tirá-la de vocês são intrusos, são mercenários, são cães vadios", disse Kadafi.

 

 

Nesta semana, surgiram suspeitas de que Kadafi teria escapado para o Níger em um comboio de veículos militares que atravessou o deserto. Mas o próprio ditador desmentiu tal hipótese. "Essa não é a primeira vez que comboios entram e saem do Níger", disse ele à TV síria.

 

 

O tom do coronel foi o mesmo dos seus últimos recados, todos transmitidos da mesma forma desde que os rebeldes invadiram Trípoli. Kadafi novamente chamou seus seguidores para a batalha, negou que tenha fugido, prometeu lutar até o final e chamou seus rivais de invasores e mercenários, referindo-se também às forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

 

Ataques

Como prova de que Kadafi ainda tem seguidores, foguetes Grad foram disparados de Bani Walid, cidade no deserto, ao sul de Trípoli, que está cercada pelas forças do novo governo e se recusa a se render. Os inimigos do coronel acreditam que haja cerca de 150 combatentes na resistência, e alguns dizem que o próprio ditador pode estar na cidade.

Dois partidários miltiares do regime foram mortos e um integrante das forças rebeldess ficou ferido em batalhas durante a noite. Mas um porta-voz do Conselho Nacional de Transição disse que as forças insurgentes respeitarão a trégua oferecida até sábado, para que haja tempo para a negociação de uma rendição de Bani Walid e de Sirte, cidade natal de Kadafi, no litoral.

Governos ocidentais têm sugerido que não estão interessados em ajudar na caçada a Kadafi, ou mesmo que não teriam condições de vigiar o vasto deserto líbio. Além disso, o embaixador dos EUA na Otan, Ivo Daalder, disse que a captura do ex-governante pode não significar o final do conflito. "Não está claro que, se ele for retirado, toda a coisa (sua resistência) iria necessariamente desmoronar; simplesmente não sabemos isso."

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