Em proposta, Irã não oferece detalhes de programa nuclear

Teerã propõe "negociações profundas, integrantes e construtivas", mas enriquecimento de urânio fica de fora

Efe e Associated Press,

11 de setembro de 2009 | 14h32

A nova proposta de negociação do Irã com o Ocidente promete negociações completas, mas não oferece detalhes sobre seu contestado programa nuclear, de acordo com uma cópia do documento de cinco páginas publicada nesta sexta-feira, 11, pelo site ProPublica, de Nova York.

 

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Na carta, Teerã se diz pronta para iniciar "negociações profundas, integrantes e construtivas" e só se refere a temas como segurança no mundo e cooperação internacional, abordando de forma superficial as questões nucleares.

 

A proposta do Irã à comunidade internacional ficou concentrada em aspectos genéricos de cooperação, mas muito pouco em seu programa nuclear, explicou nesta sexta-feira, 11, o porta-voz do chefe da diplomacia europeia, Javier Solana.

 

Os países da União Europeia (UE) continuam negociando em busca de uma resposta, tanto ao documento que o Irã irá compor quanto um novo pacote de propostas sobre a questão nuclear. Para dar sequência a negociação, estão previstos contatos telefônicos entre diplomatas, informou o porta-voz do Alto Representante, Cristina Gallach.

 

Na próxima segunda-feira, os ministros de Assuntos Exteriores da EU vão fazer um debate político sobre o Irã, durante um jantar do Conselho de Assuntos Gerais e Relações Exteriores.

 

Teerã entregou no último dia 16, sua proposta aos embaixadores da Rússia, China, França, Alemanha e ao encarregado de negócios do Reino Unido, além da embaixadora da Suíça, que representa os interesses dos Estados Unidos no Irã. Horas depois, o embaixador iraniano na Bélgica enviou uma cópia ao escritório do Alto Representante para Política Externa e de Segurança Comum.

 

O governo do Irã sustenta que seu programa nuclear tem fins pacíficos de busca somente a geração de energia elétrica. Os EUA acreditam que o objetivo do enriquecimento de urânio seja a fabricação de armas nucleares. Autoridades americanas afirmaram que as propostas apresentadas não satisfazem os governos dos países que pedem o fim do programa nuclear.

 

Na semana passada, Ahmadinejad afirmou que o Irã estava aberto e discutiria qualquer assunto com as potências mundiais, não abriria mão de seu programa nuclear. Os EUA deram um prazo até o fim de setembro para que o Irã aceite negociar seus direitos nucleares e ofereceu incentivos econômicos para que a nação islâmica voltasse à mesa de conversas, mas do contrário sofreria sanções mais severas.

 

Desde de 2006, o Conselho de Segurança impõe sanções ao Irã por ignorar os pedidos de paralisação do programa. O governo de Ahmadinejad, entretanto, afirma não temer a repressão internacional.

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