Em reunião da Liga Árabe, líder rebelde sírio pede respeito a diretos humanos

O líder da oposição síria Moaz Alkhatib pediu nesta terça-feira a governantes árabes que libertem presos políticos e que se unam aos sírios para romper "um elo de repressão", deixando de lado a retórica inócua comum em reuniões de cúpula árabes.

YARA BAYOUMY, Reuters

26 de março de 2013 | 14h08

Alkhatib, que ocupou pela primeira vez o assento da Síria na reunião da Liga Árabe no Catar, não poupou apelos aos emires e presidentes, que são muitas vezes criticadas por grupos de direitos humanos pela forma como tratam das dissidências internas.

"Tal como o seu irmão mais novo, eu vos digo: tenham temor a Deus ao tratar de seu povo, reforcem em seus países a equidade e justiça", disse o clérigo islâmico sunita, reconhecendo que ele estava rompendo com o protocolo diplomático.

Alkhatib instou os líderes a adotar uma resolução "para libertar detentos em todo o mundo árabe para que o dia da vitória da revolução síria, que vai quebrar um elo de repressão, é um dia de alegria para todos os nossos povos".

Muitos Estados árabes negam que mantenham prisioneiros políticos, dizendo que eles apenas detêm infratores ou aqueles que ameaçam a segurança nacional. Onde os abusos ocorrem, eles são investigados, alegam as autoridades em muitos desses países.

Na segunda-feira, o procurador-geral do Egito ordenou a prisão preventiva de cinco importantes ativistas políticos devido a incidentes violentos que ocorreram na semana passada perto da sede da Irmandade Muçulmana.

No mês passado, um poeta do Catar foi condenado a 15 anos de prisão por criticar o emir e por tentativa de incitar a revolta.

O pedido de Alkhatib em seu discurso reforçou a necessidade de respeitar os direitos humanos e de pôr fim à violência contra inocentes, apelos feitos com frequência por manifestantes que têm impulsionado as revoltas árabes dos últimos dois anos.

Alkhatib, que conduzia as preces em uma mesquita, destacou ainda o que ele chamou de atrocidades cometidas pelas forças do governo sírio contra os rebeldes e dissidentes, descrevendo atos de tortura contra um de seus alunos que acabou morrendo.

O líder também fez um apelo aos Estados Unidos para assumir um papel maior na crise da Síria e afirmou que pediu aos secretário de Estado norte-americano, John Kerry, que usem mísseis Patriot para proteger áreas controladas pelos rebeldes no norte da Síria contra o poderia aéreo do presidente Bashar al-Assad.

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