Em visita ao Iraque, Bush diz ser possível diminuir tropas

Faltando uma semana para divulgação de relatório, Bush se reúne com 'conselho de guerra'

Reuters,

03 de setembro de 2007 | 13h37

Em visita-surpresa ao Iraque nesta segunda-feira, 3, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que os líderes militares e diplomáticos americanos lhe disseram que o atual nível de segurança no país pode ser mantido com menos tropas se o sucesso continuar. Veja Também Brown defende retirada britânica de Basra Em visita surpresa, Bush chega ao Iraque"O general Petraeus e o embaixador Crocker me falaram que se o tipo de sucesso que estamos vendo continuar, será possível manter o mesmo nível de segurança com menos forças norte-americanas", disse Bush.  Uma semana antes de membros do governo testemunharem diante do Congresso a respeito da situação do país árabe, Bush se reuniu com autoridades da área de segurança em um "conselho de guerra" dentro de uma base militar do Iraque.  O presidente americano, que deve entrar em choque com os congressistas favoráveis à retirada das forças americanas do Iraque, voou em segredo para a Base Aérea de Al Assad, na Província de Anbar, onde também se reuniu com o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki. Bush viajou acompanhado da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e de Steven Hadley, conselheiro nacional para a área de segurança dos EUA. O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, chegou em um outro vôo. Geoff Morrell, porta-voz do Pentágono, afirmou que Bush, Rice e Gates se reuniriam com os principais comandantes das forças americanas no Iraque, com dirigentes iraquianos (entre os quais Maliki) e com líderes tribais de Anbar. Antes considerada problemática, a província é citada hoje pelos americanos como uma história de sucesso da recente ampliação no número de soldados americanos enviados ao país. "Esse será o último grande encontro entre os conselheiros do presidente e os líderes iraquianos antes de o presidente adotar uma decisão sobre o futuro da política para o Iraque", afirmou Morrell a repórteres, a caminho da base aérea localizada em uma área desértica. A decisão de reunir-se em Anbar é bastante simbólica. Uma viagem do tipo envolvendo Bush seria impensável meses atrás, quando a região estava entre as mais perigosas do Iraque para as forças americanas. Mas uma rebelião realizada por tribos sunitas contra o grupo Al-Qaeda, também sunita, melhorou a situação da província, que agora deve ser mostrada como um indício de que a estratégia norte-americana para o país está funcionando. Prestando contas  O comandante das forças dos EUA no Iraque, general David Petraeus, testemunhará diante do Congresso americano no dia 10 de setembro. Petraeus falará ao lado do embaixador no Iraque, Ryan Crocker.  Os dois devem oferecer dados sobre o impacto da decisão de Bush de enviar mais 30 mil soldados ao Iraque, elevando o contingente militar americano para um total de 160 mil militares. O governo dos EUA viu-se instado a submeter, até o dia 15 de setembro, um outro relatório sobre a situação do Iraque. Pressão Bush vem sendo pressionado pela oposição democrata e por alguns republicanos favoráveis a retirada dos soldados americanos. Os EUA invadiram o país quatro anos atrás. Desde então, 3.700 soldados americanos foram mortos ali, junto com dezenas de milhares de iraquianos. Os congressistas desejam que Bush mostre ao atual governo iraquiano, liderado pelos xiitas e atualmente em crise, que o comprometimento americano com o Iraque não é eterno. Na sexta-feira, Bush apelou ao Congresso para que espere mais tempo antes de avaliar a situação política e militar do Iraque e adotar qualquer decisão sobre uma guerra cada vez mais impopular e responsável por manchar a imagem dos EUA no cenário internacional.

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