Stefan Rousseau/AP
Stefan Rousseau/AP

Em visita surpresa ao Afeganistão, Cameron diz que país é prioridade

Premiê britânico pretende investir em equipamentos, mas não sinaliza que enviará mais tropas

Efe

10 de junho de 2010 | 09h52

LONDRES - O primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou nesta quinta-feira que o Afeganistão é sua "prioridade número um", em uma visita surpresa ao país, na qual se reuniu com o presidente Hamid Karzai.

 

Veja também:

linkSuicida mata ao menos 40 em casamento no Afeganistão

 

Em uma conferência de imprensa conjunta, Cameron, que visita este Estado pela primeira vez desde sua eleição em maio, anunciou que seu governo destinará 67 milhões de libras (81 milhões de euros) a mais para proteger as tropas britânicas de ataques insurgentes.

 

Também se investirá para formar o exército, a polícia e o serviço público afegãos, indicou.

 

O Afeganistão é o "assunto de política externa" e de "segurança nacional" mais importante para o governo do Reino Unido, insistiu Cameron, que já recebeu Karzai no mês passado em Londres.

 

A visita do primeiro-ministro ao país centro-asiático tem o objetivo de avaliar a situação, e não se espera uma mudança significativa da política britânica a curto prazo.

 

Prontamente, Cameron sinalizou hoje que a possibilidade de enviar mais soldados britânicos a fronte "não está nem remotamente na agenda".

 

Nesta mesma semana, Cameron e seu ministro da Defesa, Liam Fox, se reunirão em Londres com o titular da Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, com quem irão conversar sobre a luta contra os taleban.

 

Fox precisou que o Reino Unido não prevê deslocar suas tropas da província sulista de Helmand para Kandahar, onde os Estados Unidos preparam uma grande ofensiva.

 

O presidente americano Barack Obama, deu ao comandante geral do Exército de seu país, Stanley McChrystal, até o final do ano para avaliar se o aumento de tropas americanas tem efeito, para avaliar quando se poderia começar uma retirada.

 

Em sua reunião com Karzai, Cameron sublinhou que este ano é "crucial" para a missão da Otan no país asiático.

 

"Este é o ano em que temos que fazer progressos, pelos afegãos, mas também em nome das pessoas do reino Unido que querem que isto tenha um bom saldo", declarou.

 

O chefe do governo britânico disse que já se está progredindo, já que se está expulsando a Al-Qaeda do Afeganistão e minando seus interesses no Paquistão.

 

Cameron reiterou que seu compromisso com a segurança das tropas britânicas, depois que o governo anterior, conduzido pelos trabalhistas, encarou críticas por não ter investido o suficiente nos equipamentos dos soldados.

 

Um total de 294 britânicos morreram no Afeganistão desde o começo das operações em outubro de 2001, dos quais 260 morreram em combate e o resto, alguns civis do ministério da Defesa, faleceram por ferimentos ou doenças.

 

Essa cifra corrói o apoio popular ao envolvimento militar britânico na guerra, que sobrecarrega as finanças públicas num momento em que o governo precisa cortar gastos para controlar o déficit.

 

"Ninguém deseja que as tropas britânicas fiquem no Afeganistão um dia a mais do que o necessário", disse Cameron.

 

"O que queremos - e é do interesse da nossa segurança nacional - é entregar (a situação) para um Afeganistão que seja capaz de controlar sua própria segurança."

 

O Reino Unido possui cerca de 10.000 soldados estacionados neste país - segundo maior contingente estrangeiro, depois do norte-americano. -, a maioria na província de Helmand, incluindo cerca de 500 membros da força de elite.

 

O governo do conservador  de Cameron já disse que pretende um prazo para que a estratégia dos EUA no Afeganistão funcione, mas funcionários britânicos avaliam o que pode ser feito de modo mais eficaz, além do envio de reforços ordenado por Washington.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.