Embaixador do Irã desmente TV sobre programa nuclear

Segundo canal de notícias, funcionário disse que governo iraniano aceitaria negociar com o Ocidente

Reuters,

18 de agosto de 2009 | 13h03

Um alto funcionário do governo iraniano negou que tenha feito qualquer declaração sinalizando que o Irã está disposto a negociar com o Ocidente o futuro do seu programa nuclear, informou a TV estatal nesta terça-feira, 18.

  

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A mesma rede, mais cedo, havia afirmado que Ali Asghar Soltanieh, embaixador do Irã junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), tinha anunciado "que o Irã está pronto para participar de qualquer negociação com o Ocidente, baseada em respeito mútuo".

 

Mas a TV estatal, sem explicar de onde saiu a reportagem inicial, transmitiu mais tarde que Soltanieh negava qualquer entrevista ou comentário sobre o assunto. "As principais políticas do Irã não mudaram, com a busca de atividades nucleares pacíficas dentro do âmbito da AIEA", afirmou Soltanieh.

 

Os Estados Unidos deram prazo até setembro para que o Irã aceite uma proposta internacional para receber benefícios comerciais em troca de suspender seu programa de enriquecimento de urânio. Do contrário, o país estaria sujeito a novas sanções. O Ocidente acusa o Irã de estar desenvolvendo armas nucleares, enquanto Teerã garante que seu objetivo é apenas gerar eletricidade com fins civis.

 

As denúncias de fraude e os protestos pós-eleitorais no país mergulharam o Irã na sua pior crise interna desde a Revolução Islâmica de 1979, expondo profundas divisões na elite governante e piorando ainda mais as relações com o Ocidente.

 

A liderança do regime acusou Washington de estimular os protestos, e os EUA condenaram duramente a repressão do governo às manifestações. No mês passado, o presidente reeleito Mahmoud Ahmadinejad prometeu "derrubar a arrogância global," numa alusão aos EUA e seus aliados.

 

Obama inicialmente deu prazo de um ano para que seu governo revisse suas políticas de envolvimento com o Irã, mas depois antecipou a data para setembro, de modo a coincidir com uma reunião do G20 (bloco de países desenvolvidos e emergentes).

 

Teerã vem evitando há meses uma resposta, o que segundo diplomatas ocidentais serve para que o governo ganhe tempo no enriquecimento de urânio.

 

Questionado sobre o prazo de setembro, um porta-voz da chancelaria iraniana disse em julho que "o povo iraniano sempre saúda o diálogo, mas dentro de um marco que salvaguarde nossos interesses nacionais." "Naturalmente levamos a sério a defesa dos nossos direitos nucleares... e não iremos aceitar quaisquer limites a esse respeito," acrescentou o porta-voz.

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