Emissoras acusam Irã de interferir em suas transmissões

Canais dizem que sabotagem contraria acordos internacionais, EUA afirmam que medida mostra medo do governo

BBC Brasil, BBC

12 de fevereiro de 2010 | 00h09

Três das maiores empresas jornalísticas do mundo, a BBC, Deutsche Welle e a Voice of America, acusaram o Irã na quinta-feira, 11, de interferência eletrônica deliberada em suas transmissões.

 

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"Condenamos a sabotagem das transmissões que contraria acordos internacionais e interfere com o fluxo livre e aberto das transmissões internacionais protegido por tratados", diz um comunicado conjunto das três empresas. "Pedimos para que operadores de satélites e seus reguladores tomem medidas urgentes para pressionar o Irã a parar com isso. O governo iraniano usa os mesmos serviços de satélite para divulgar livremente pelo mundo, inlcusive em inglês e árabe."

 

O documento também citou a censura praticada pelo governo iraniano sobre as produções e notícias do exterior que são banidas no Irã. "Ao mesmo tempo eles negam ao seu próprio povo acesso a programas que vêm do resto do mundo", prossegue o comunicado, dizendo que as três emissoras continuarão transmitindo para o país. 

'Medo do povo'

Mais cedo na quinta-feira, o governo americano havia acusado o Irã de interferir na rede de telefonia do país, impedindo inclusive mensagens de texto e congestionando a internet.

"O Irã tentou impor um bloqueio de informações quase total", disse o porta-voz do departamento de Estado, PJ Crowley. "É uma medida inédita o uso da força para intimidar seu próprio povo e restringir a liberdade de expressão e congregação. Está claro que o governo iraniano teme seu próprio povo", completou.

Na quarta-feira a Google havia divulgado que usuários do Gmail no Irã estavam encontrando problemas. Outros serviços de internet apresentaram problemas de acesso e os correspondentes internacionais foram proibidos de cobrir os eventos da quinta-feira, 11 de fevereiro, quando o Irã comemora os 31 anos da Revolução Islâmica.

 

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