Emperram negociações sobre plano egípcio de trégua em Gaza

Os esforços do Egito para obter um cessar-fogo na Faixa de Gaza chegaram a um impasse na sexta-feira em razão de discordâncias com Israel sobre como garantir a segurança da fronteira para prevenir que o Hamas se rearme, informaram diplomatas. Diplomatas israelenses e europeus, falando à Reuters sob a condição de anonimato, disseram que o governo do Egito opõe-se à proposta de que forças estrangeiras permaneçam do lado egípcio da fronteira de 14,5 quilômetros com a Faixa de Gaza. Em vez de tropas estrangeiras, o Egito disse a Israel e à União Européia que o país estaria preparado para aceitar um incremento na assistência técnica internacional para ajudar as forças nacionais a combaterem o contrabando de armas através de túneis cavados ao longo da fronteira. Israel disse que não vai concordar com um cessar-fogo a menos que ele contenha comprometimentos regionais e internacionais que evitem que o Hamas contrabandeiem foguetes para a Faixa de Gaza que poderiam atingir o Estado judaico. O Hamas exige que qualquer plano de paz obrigue Israel a pôr fim ao bloqueio à Faixa de Gaza e a suspender as incursões para o lado palestino da fronteira. "As conversações para uma trégua não estão indo a lugar nenhum neste momento", disse um importante diplomata europeu. "Há um sentimento crescente de que o plano egípcio-francês não vai funcionar." GRANDE DISPARIDADE O plano, anunciado pelo presidente egípcio, Hosni Mubarak, após conversas na terça-feira com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, exigia o cessar-fogo imediato e negociações subsequentes sobre a segurança na fronteira de Gaza e a reabertura das passagens na fronteira. Após conversas no Cairo na quinta-feira com o oficial de defesa israelense Amos Gilad, diplomatas israelenses e europeus descreveram a diferença com o Egito sobre a segurança na fronteira como enorme. "Eles (os egípcios) nos disseram que não concordarão com uma força no lado deles" da fronteira, disse um importante oficial israelense. "O Egito aceitaria muito mais assistência técnica", afirmou o oficial, mas acrescentou que Israel mostrava-se cético de que isso seria suficiente. As autoridades egípcias não estavam disponíveis para comentar o assunto. Diplomatas afirmaram que a manutenção de tropas internacionais no lado palestino da fronteira seria improvável por causa das objeções do Hamas, que ainda tem de se posicionar formalmente sobre a proposta de cessar-fogo do Egito.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.