Empresário diz que não mentiu sobre doações a Olmert

Americano depõe no caso de corrupção que pode provocar a renúncia do primeiro-ministro israelense

Efe e Associated Press,

17 de julho de 2008 | 08h42

O empresário americano Morris Talansky, principal testemunha na investigação por acusações de suborno contra o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, foi interrogado nesta quinta-feira, 17, pelos advogados da defesa. Talansky, que disse no mês passado, ao ser interrogado pela Promotoria, ter entregue ao longo de 15 anos grandes somas de dinheiro ao atual chefe do governo israelense, parecia nervoso e insistiu que disse a verdade em seu testemunho anterior. O interrogatório de Talansky é visto em Israel como uma das últimas chances de sobrevivência do premiê Ehud Olmert no poder. Seu testemunho anterior prejudicou seriamente a credibilidade do primeiro-ministro entre a população. A Justiça investiga milhares de dólares em doações dadas a Olmert antes de ele assumir o cargo de primeiro-ministro, em 2006. Olmert negou qualquer ilegalidade e prometeu renunciar caso seja indiciado.  Contudo, o político sofre pressão para renunciar desde que o Talansky confessou ter enviado envelopes com mais de US$ 150 mil (R$ 247,5 mil) em dinheiro para Olmert. O partido de Olmert, o Kadima, planeja uma eleição primária em setembro que poderia substituí-lo como líder do país, em setembro. O Partido Trabalhista, da coalizão atualmente no poder, pressiona o Kadima para que aponte outro nome para o cargo de primeiro-ministro. O empresário diz que parte do dinheiro que deu a Olmert foi como empréstimo e nunca foi devolvido. O premiê, porém, nega ter feito qualquer coisa de errado e afirma que os recursos foram usados legalmente em campanhas eleitorais. O interrogatório de Talansky deve durar os próximos cinco dias, informou o jornal Yedioth Ahronoth em sua versão online. Na última sexta-feira, detetives da União Nacional de Fraude interrogaram Olmert em sua residência oficial pela terceira vez, quando foi divulgado que, além de ser investigado sobre o dinheiro que teria recebido ilegalmente de Talansky, Olmert também é suspeito de fraude por supostas irregularidades em solicitações de financiamento público a diferentes organismos e instituições, que lhe pagaram várias viagens de forma simultânea. As revelações indicaram que o escândalo de corrupção era maior que o originalmente suposto. Os novos fatos são os mais graves desde o início da investigação por Olmert ter supostamente aceitado fundos ilícitos. De acordo com os novos dados, Olmert é suspeito de duplicar prestações de contas de despesas de suas viagens ao exterior, pagas por diferentes organizações, e de ter usado o dinheiro extra para cobrir gastos pessoais.  Escândalos de corrupção Olmert é investigado por uma série de outras alegações de corrupção, mas nunca foi acusado formalmente ou condenado em nenhum dos casos. Entre eles está uma investigação criminal por suspeitas em torno da compra de um imóvel em Jerusalém. Olmert teria comprado uma casa por preço muito abaixo do valor de mercado, levantando suspeitas de fraude e pagamento de subornos. Em 2004, Olmert comprou uma casa construída pela empreiteira Alumot num bairro de alto padrão da cidade sagrada pelo equivalente a R$ 2,25 milhões, mais de R$ 600 mil abaixo do valor de mercado. A investigação tenta apurar também se pessoas ligadas ao primeiro-ministro ajudaram a construtora Alumot a obter alvarás ilegais de obras dentro de Jerusalém, aumentando consideravelmente os lucros da empresa. Olmert foi prefeito de Jerusalém por dez anos. Em outro incidente, Olmert, quando ministro das Finanças em 2005, teria tentado influenciar a venda do controle do Estado sobre o segundo maior banco do país, o Banco Leumi, em favor de duas pessoas próximas.

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