Empresas belgas são investigadas por exportarem material nuclear ao Irã

Firmas venderam ao país zircônio em pó e urânio empobrecido; materiais são considerados 'sensíveis'

Efe,

10 de novembro de 2010 | 20h29

BRUXELAS- Duas empresas belgas são alvo de investigação por terem enviado ao Irã zircônio em pó e urânio empobrecido sem respeitar as normas sobre exportação de material que pode ser usado com fins militares, informou nesta quarta-feira, 10, o jornal La Libre Belgique.

 

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O assunto se tornou público depois que o deputado Kristof Calvo, do partido verde Groen, perguntou ontem ao ministro de Energia, Paul Magnette, se empresas belgas haviam violado nos últimos anos a normativa aplicada para exportar material nuclear a um país "sensível".

 

Magnette confirmou que uma empresa havia sido levada aos tribunais por exportar zircônio em pó a Teerã em 2008 e outra está enfrentando a Justiça por ter exportado urânio empobrecido ao país, mas não especificou a data.

 

Nenhuma das empresas foi citada, mas aparentemente elas estão situadas na região flamenca.

 

O ministro recordou que toda empresa que queira vender material nuclear a um país que não tem armas atômicas precisa de uma autorização prévia concedida pelo ministro de Energia, depois de haver enviado o informe à Comissão contra a Proliferação de Armas Nucleares, procedimentos não cumpridos pelas duas firmas.

 

O pó de zircônio pode ser usado na fabricação de combustível nuclear, ao passo que o urânio pode ser enriquecido para a construção de uma bomba atômica.

 

Não é a primeira vez que a Bélgica se envolve em um problema de exportação de material nuclear sensível. Em 1999, materiais ilegais de uso duplo foram exportados ao Paquistão, o que provocou uma crise política no governo belga.

 

As potências ocidentais acusam o Irã de esconder, sob seu programa nuclear civil, outro de natureza clandestina e aplicações bélicas, cujo objetivo seria a aquisição de armas atômicas. Teerã nega tais alegações.

 

As tensões sobre o programa nuclear iraniano se acirraram no final do ano passado após o Irã rejeitar uma proposta de troca de urânio feita por EUA, Rússia e Reino Unido. Meses depois, o país começou a enriquecer urânio a 20%.

 

Um acordo mediado por Brasil e Turquia para troca de urânio chegou a ser assinado com o Irã em maio. O acordo, porém, foi rejeitado pelo Grupo de Viena - composto por Rússia, França, EUA e AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) - e o Conselho de Segurança da ONU optou por impor uma quarta rodada de sanções ao país.

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