Engenheiro morto no Iraque é velado em Juiz de Fora

Corpo de João José Vasconcelos Júnior foi encontrado após dois anos desaparecido

Agencia Estado

19 Junho 2007 | 11h05

Os restos mortais do engenheiro João José Vasconcelos Júnior, que estava desaparecido no Iraque desde janeiro de 2005, estão sendo velados em Juiz de Fora (MG), onde vivem os pais e irmãos. O corpo, depositado em uma urna lacrada, chegou à cidade mineira no início da madrugada desta sexta-feira. O velório é realizado na Capela 1 do cemitério Parque da Saudade, onde estão poucos familiares e amigos. Os primeiros a chegar foram os irmãos, Luiz Henrique, Carla e Isabel. Há pouco, chegaram os filhos do engenheiro, Rodrigo, Gustavo e Tatiana, e a viúva, Tereza. O sepultamento está marcado para às 16h. A cidade de Juiz de Fora decretou luto oficial nesta sexta. Embora a família de Vasconcellos Jr. já soubesse da localização do corpo há uma semana, a informação só foi revelada nesta quinta-feira pela construtora Norberto Odebrecht e o Itamaraty. Desaparecimento Vasconcellos Jr. desapareceu em 19 de janeiro de 2005 depois que o comboio no qual viajava foi atacado entre as cidades de Baiji e Bagdá, na região conhecida como Triângulo Sunita - uma das mais perigosas e com maior atividade insurgente do país árabe. A confirmação da identidade se deu por meio de exame realizado por peritos forenses, e a repatriação foi realizada com o apoio da Embaixada do Brasil no Kuwait. Nem a Odebrecht nem o Itamaraty deram detalhes sobre o local em que os restos foram localizados e a data do resgate. Citando uma irmã de Vasconcellos, a BBC Brasil informa que o engenheiro foi morto por "ferimentos diversos". Toda a operação que culminou na repatriação nesta quinta-feira foi cercada de sigilo, e os detalhes são mantidos sob reserva em altos escalões do Ministério das Relações Exteriores. "Não sei dizer por que razão há todo esse sigilo, mas suponho que a operação tenha envolvido riscos às pessoas que participaram, já que a situação no Iraque é de muito perigo", explicou um diplomata, sob a condição de não ter o nome divulgado. O funcionário disse que o Itamaraty trabalhou sempre com a possibilidade de que Vasconcellos Jr. estivesse vivo, mas que não houve pagamento de nenhum resgate. Segundo o diplomata, os restos mortais do engenheiro foram trasladados para o Kuwait, e dali para o Brasil. Por meio de nota, o Itamaraty destacou os esforços realizados pela diplomacia brasileira para que o paradeiro de Vasconcellos Jr. fosse revelado. No texto, o governo expressa as condolências à família. Em 2006, o caso voltou ganhar destaque depois que a mãe de Vasconcellos enviou uma carta aberta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na mensagem, Maria de Lourdes pedia mais transparência nas negociações do Itamaraty e da Odebrecht. A construtora, por sua vez, agradece o Ministério das Relações Exteriores e cita os apelos feitos por diversas personalidades esportivas e líderes religiosos para que o engenheiro fosse libertado. "A busca por informações foi desenvolvida de forma ininterrupta e em contato permanente com a família Vasconcellos. Também foram veiculados, na imprensa escrita e em cadeias de televisão nos países árabes, mensagens dos familiares de João. Todas as iniciativas possíveis foram tomadas, com a cautela e a discrição necessárias, tendo em conta a natureza sensível do caso", diz a nota da empreiteira. Com André Mascarenhas e David Moisés, do estadão.com.br

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