Enquanto forças do Iraque são frágeis, EUA preparam retirada

Dos 175 batalhões de combate iraquianos, só 17 são capazes de lutar contra insurgentes sem apoio americano

The New York Times,

08 de maio de 2009 | 07h34

Apesar dos avanços, as forças de segurança iraquianas ainda estão longe de conseguir trabalhar sozinhas de forma eficiente. Faltando três meses para os EUA abandonarem as operações de combate no Iraque, problemas como corrupção, burocracia, a falta de homens e equipamentos e o excesso de interferências políticas prejudicam a atuação de policiais e soldados no Iraque, de acordo com relatórios divulgados recentemente.

 

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Dois documentos - um do Pentágono e outro do Inspetor-Geral Especial para o Iraque - alertam para o fato de as forças de segurança iraquianas continuarem bastante dependentes dos americanos nos mais variados tipos de atividades, desde os serviços médicos e de logística até operações aéreas e serviços de inteligência.

Estima-se que só 17 dos 175 batalhões de combate do Exército iraquiano e 2 das 34 unidades da Polícia Nacional possam realizar operações contra grupos insurgentes sem o apoio americano. E os problemas não param por aí. Segundo a Comissão de Integridade Pública iraquiana, foram abertos 736 processos para investigar casos de corrupção nas forças de segurança do país no último ano. Em muitos lugares, faltam policiais e soldados. Em Mossul, por exemplo, faltam 5.300 homens, além de serem frequentes os ataques de insurgentes vestidos com uniforme da polícia.

Otimistas, autoridades americanas costumam exaltar o progresso e o aumento do profissionalismo dos iraquianos. Desde 2007, as forças de segurança do Iraque cresceram 27%, para 618 mil homens. Os EUA investiram bilhões de dólares em seu treinamento e aparelhamento, o que de fato ajudou a conter a violência - embora abril tenha sido o pior mês deste ano.

Os americanos lembram ainda que há apenas dois anos era grande o número de militares e soldados envolvidos em casos de violência sectária. Mas nem no que diz respeito a esse problema está tudo resolvido. "Muitos desses homens não são leais ao Estado, mas apenas a seus partidos, a Al-Qaeda, ao crime organizado ou a interesses particulares", diz Ali al-Adeeb, um dos líderes do partido do premiê Nuri Al-Maliki.

Nos próximos meses, é preciso avançar bastante na resolução desses problemas para que a retirada americana não mergulhe o Iraque no caos. "Nós não vamos estar mais aqui", disse na semana passada o coronel americano Byron Freeman, comandante do 8ª Brigada Militar numa cena que resume o problema. Diante dele, um comandante da polícia de Bagdá desesperado reclamava da falta de blindados, rádios e sensores para detectar explosivos. "Só estamos tentando fazer para que as suas estruturas funcionem sozinhas", completou.

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