Entenda a disputa sobre as Colinas de Golan

Montanhas ocupadas por Israel em 1967 são o centro da discórdia em suas relações com a Síria

Agências internacionais,

21 de maio de 2008 | 12h07

As Colinas de Golan são o centro da discórdia nas relações entre Israel e a Síria. As montanhas, que hoje delimitam a fronteira norte israelense, foram ocupadas durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967. O país as anexou em 1981. Consideradas militarmente estratégicas, em razão de sua altitude, as colinas também são de grande importância devido às suas fontes de água, isso numa região que sofre anualmente com a seca. Segundo a BBC, estima-se que cerca de um terço da água que abastece Israel nos dias de hoje é proveniente de Golan. O destino da região tem sido o principal elemento de todas as tentativas de levar os dois países a assinar um tratado de paz. Israel e Síria continuam tecnicamente em estado de guerra desde 1967, um conflito acentuado recentemente em razão do apoio sírio a organizações palestinas responsáveis por atentados e aos guerrilheiros libaneses do Hezbollah. Ao longo dos anos, Israel adotou uma política para fortalecer o seu controle sobre as colinas, construindo assentamentos e incentivando as pessoas que decidissem morar na região. O governo sírio, por sua vez, manteve firme a sua posição de que qualquer normalização de suas relações com o vizinho envolveria uma devolução das colinas. Os dois lados estiveram próximos de um acordo durante o governo do ex-premiê israelense Ehud Barak, que assumiu em 1999 prometendo devolver Golan e fazer a paz com todos os países árabes. Em 2000, o então presidente americano Bill Clinton promoveu o encontro de mais alto nível entre as duas partes, reunindo Barak e o chanceler sírio Farouq Al Shara. O diálogo, porém, não avançou por uma divergência de poucos quilômetros no traçado da fronteira final proposta pelas duas partes. Os sírios desejavam voltar a controlar as águas da costa norte do mar da Galiléia, enquanto Israel pretendia que a divisão fosse sobre terra, um pouco mais ao norte. O atual premiê israelense, Ehud Olmert, que há seis meses também retomou o processo de paz com os palestinos, disse estar disposto a discutir a devolução do Golan à Síria, desde que em troca Damasco rompa relações com o Irã e com movimentos armados hostis a Israel, especialmente o grupo palestino Hamas e o libanês Hezbollah. Autoridades de ambos os países estão na Turquia, segundo uma fonte do governo israelense, que no entanto não confirmou a ocorrência de contatos diretos entre as delegações.

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