Entenda as eleições presidenciais no Irã

Mahmoud Ahmadinejad e Mir Hossein Mousavi são os favoritos para as eleições do dia 12 de junho

10 de junho de 2009 | 08h45

 

Partidários de Ahmadinejad participam de comício eleitoral. Foto: Reuters

 

 

SÃO PAULO - O presidente pode ser o rosto público da República Islâmica, mas não é a figura mais poderosa do país. A palavra final sobre todos os assuntos de Estado é do líder religioso supremo, o aiatolá Ali Khamenei, sob o sistema de regras do clérigo. O presidente pode influenciar nas discussões políticas porque o aiatolá tende a tomar suas decisões baseadas no consenso entre a elite política, embora normalmente adote a posição dos conservadores.

 

Os quarto candidatos aprovados pelo Conselho de Guardiães são o presidente Mahmoud Ahmadinejad, que tenta a reeleição e conta com o apoio dos conservadores, o primeiro-ministro do Irã durante a guerra de 1980-88 contra o Iraque, o moderado Mirhossein Mousavi, o reformista e ex-presidente do Parlamento Mehdi Karroubi e Mohsen Rezaie, ex-comandante da Guarda Revolucionária Iraniana e que deve roubar votos do presidente. O Conselho, um painel de seis altos clérigos e seis juristas islâmicos, desqualificaram o restante dos 475 candidatos, incluindo 42 mulheres.

 

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Todos os iranianos com mais de 18 anos podem votar, o que representa uma parcela de 46 milhões dos mais de 70 milhões de habitantes. O mandato presidencial no Irã é de quatro anos, com direito ao segundo mandato se reeleito. Se o candidato não vencer com 51% dos votos, um segundo turno entre os dois mais votados será realizado no dia 19 de junho.

 

Com base na retórica dos candidatos e em pesquisas de opinião, é possível afirmar que o assunto que mais tem preocupado os eleitores nas eleições deste ano é a economia. A queda nos preços do petróleo, a inflação, os gastos governamentais e o desemprego estão entre as principais preocupações dos iranianos.

 

O Irã não permitiu que o pleito, entendido como crucial para o futuro do país, contasse com a presença de observadores internacionais. Segundo a Lei Eleitoral iraniana, cada candidato tem direito a que um delegado de sua campanha esteja presente em cada um dos 49 mil colégios eleitorais que serão instalados em todo o país, desde que estes abram até a apuração dos votos.

 

O Conselho Eleitoral previu que o comparecimento às urnas na sexta-feira poderá ultrapassar o recorde de 80% de 1997, quando o reformista Mohamed Khatami se elegeu presidente. O alto comparecimento pode mais uma vez beneficiar os moderados.

 

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