Entenda as eleições regionais no Iraque

14 das 18 províncias escolhem 400 membros dos conselhos na segunda votação realizada no país desde 2005

Agências internacionais,

30 de janeiro de 2009 | 11h43

O Iraque realiza eleições provinciais - em seu primeiro pleito desde 2005 -, que coincidem com um período de diminuição da violência e uma mudança na política dos Estados Unidos após o anúncio da futura retirada de suas tropas do país. O processo eleitoral é colocado como uma prova ao governo iraquiano, que deverá mostrar se tem capacidade para manter a segurança no território, após ter assumido o controle de várias províncias que antes estavam sob supervisão de forças estrangeiras. Entre os 14.431 candidatos inscritos, os eleitores elegerão 440 membros dos conselhos, que, por sua vez, designarão os governantes locais. Esta será a segunda eleição provincial no Iraque. A primeira, realizada em 2005, foi amplamente boicotada, sobretudo pela comunidade sunita, que acabou sub-representada na cena política. Mas grupos que haviam ignorado a primeira votação garantiram que participarão no sábado. Não participam do pleito as três províncias do Curdistão iraquiano - Erbil, Suleimaniya e Dohuk - e a da região petrolífera de Kirkuk, disputada por árabes, curdos e turcomanos, se deve ao fato de que ainda não foi resolvida a polêmica envolvendo o futuro desta última província, que espera há meses a realização de um plebiscito. Por trás da eleição, está uma decisão sobre o futuro do país: terá o Iraque um Estado federalista, como querem os líderes locais, ou um arranjo centralizador, como defende o primeiro-ministro Nouri al-Maliki? A questão transformou a votação em uma espécie de referendo sobre o premiê, cujas ambições renderam-lhe o apelido de "Saddam xiita" nas ruas de Bagdá. Mas Maliki tem tentado dar sinais de que respeitará os interesses regionais. No campo oposto ao de Maliki encontram-se a comunidade curda, concentrada no norte do país, e partidos xiitas, como o Conselho Islâmico Supremo do Iraque, populares em regiões ricas em petróleo, como Basra. A Aliança Unida Iraquiana (AUI), xiita e que lidera o governo, também tem muito interesse nas eleições deste sábado, com seus candidatos disputando votos nas províncias do sul do país. Os principais partidos dessa coalizão xiita, a Assembleia Suprema da Revolução Islâmica (ASRI), do clérigo xiita Abdel Aziz al-Hakim, e o partido do primeiro-ministro Nouri al-Maliki, Dawa, chegam ao pleito com dois projetos diferentes. Enquanto Maliki defende uma centralização do Estado cada vez mais forte, em detrimento de autonomias regionais, o partido de Hakim, o mais forte dentro da AUI, defende um Iraque federal, onde os xiitas controlariam as províncias do sul. Ambos terão que competir com os candidatos fiéis ao clérigo antiamericano Moqtada al-Sadr, que se apresentam como independentes, mas contam com grande apoio, especialmente o na cidade de Basra, a segunda mais povoada do país. Nas províncias centrais, onde os sunitas são a maioria, os partidos tradicionais, unidos na Frente do Consenso Iraquiano (FCI), de fortes características religiosas, enfrentam os candidatos tribais dos Conselhos de Salvação, que aparecem pela primeira vez na cena política, precedidos pela fama de ter posto em xeque a Al-Qaeda e seus aliados. Missão dos EUA  O presidente americano, Barack Obama, procura redefinir a missão dos EUA no Iraque, e encontra-se diante de uma difícil escolha: abandonar uma promessa de campanha ou correr o risco de uma ruptura com os militares. Desde que assumiu a presidência, na semana passada, Obama voltou a prometer o fim da Guerra no Iraque, mas não reiterou a promessa de campanha de que retiraria aproximadamente uma brigada de combate por mês durante os seus primeiros 16 meses no cargo. Seu comandante-chefe no Iraque propôs iniciar a retirada a um ritmo mais lento, alertando sobre os perigos de uma saída muito acelerada dos cerca de 150 mil soldados no país.  Desde o início da invasão americana no Iraque, foram mortos 4.236 soldados dos EUA, 178 britânicos e outros 139 da coalizão. Entre os iraquianos, entre 4.900 e 6.375 militares e, segundo estimativas do grupo liderado por acadêmicos e ativistas Iraq Body Count, entre 90.441 e 98.730 civis morreram no conflito. Ficha técnica  NOME OFICIAL: República do Iraque.LOCALIZAÇÃO: Ásia ocidental, na Península Arábica. Faz fronteira com Turquia (norte); Síria e Jordânia (oeste); Arábia Saudita e Kuwait (sul); Irã (leste); e Golfo Pérsico (sudeste).SUPERFÍCIE: 438.317 quilômetros quadrados.POPULAÇÃO: 29,5 milhões de habitantes (2008).CAPITAL: Bagdá.IDIOMAS: Árabe e curdo (oficiais).RELIGIÃO: Islamismo (96%), cristianismo e outras. Os xiitas representam 60% da população, e os sunitas, 30%.CONSTITUIÇÃO: 2005.GOVERNO: República parlamentarista. A autoridade do governo conta, no entanto, com a limitação imposta pela presença de cerca de 150 mil soldados estrangeiros, 143 mil deles dos Estados Unidos. O contingente americano começará a deixar o Iraque ao longo do primeiro semestre deste ano, segundo pacto assinado recentemente entre Washington e Bagdá, e que prevê retirada total antes de 2012.PRIMEIRO-MINISTRO: Nouri al-Maliki.PRESIDENTE: Jalal Talabani.LEGISLATIVO: Unicameral - Conselho dos Representantes, com 275 Cadeiras.MOEDA: Dinar iraquiano.PRINCIPAL FONTE DE RENDA: Petróleo, com cerca de 2,5 milhões de barris diários. Integra a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), embora atualmente esteja excluído do sistema de cotas do cartel devido à instabilidade política e à violência.

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