Entrada de comboio líbio no Níger desperta rumores sobre Gaddafi

Vários veículos militares líbios entraram no Níger pelo deserto, no que pode ser uma tentativa de Muammar Gaddafi de buscar refúgio em um Estado africano amigável, disseram fontes militares da França e do Níger à Reuters na terça-feira.

EMMA FARGE E ABDOULAYE MASSALATCHI, REUTERS

06 Setembro 2011 | 18h49

Os Estados Unidos disseram acreditar que o comboio levava membros de alto escalão do extinto regime de Gaddafi, mas não o próprio.

As forças líbias que há duas semanas derrubaram Gaddafi disseram acreditar também que cerca de doze outros veículos que cruzaram a remota fronteira transportassem ouro e dinheiro, aparentemente retirados de uma filial do Banco Central da Líbia em Sirte, cidade natal de Gaddafi.

Detalhes sobre esses fatos ainda são muito obscuros.

As fontes militares disseram que um comboio com 200 a 250 veículos foi escoltado pelo Exército nigerino até Agadez, cidade no norte desse país pobre e sem acesso ao mar, uma ex-colônia francesa. É possível, disse uma fonte militar francesa, que Gaddafi se junte ao grupo a caminho do vizinho Burkina Faso, que lhe ofereceu refúgio.

Um porta-voz de Gaddafi, no entanto, disse que ele permanece na Líbia. "Ele está seguro, está muito saudável, com moral alto", declarou Moussa Ibrahim por telefone à Reuters.

Ele não disse onde Gaddafi está nem quando pretende aparecer em público. Afirmou também não ter "nem ideia" sobre o suposto comboio militar no Níger, e disse considerar normal que um grupo de viajantes cruze a fronteira.

A França, o Níger, Burkina Faso, o novo governo líbio e a Otan negaram saber do paradeiro de Gaddafi ou existir algum acordo que lhe permita viajar para o exterior e se colocar a salvo dos processos judiciais que pode enfrentar na própria Líbia e no Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia.

A França, envolvida diretamente na ação militar da Otan que ajudou os rebeldes líbios a derrubarem Gaddafi, provavelmente teria a capacidade de monitorar um comboio de tamanho considerável cruzando o deserto.

Mas o embaixador nigerino na ONU em Genebra, Adani Illo, disse à Reuters que, apesar de toda a tecnologia disponível, é difícil vigiar um trecho de milhares de quilômetros no meio do Saara. "A zona de deserto é vasta, e a fronteira é porosa", disse ele. "Se um comboio de 200 a 250 veículos passasse, seria como uma gota no oceano."

Fontes próximas ao governo do Níger disseram que o chefe da brigada de segurança de Gaddafi, Mansour Dhao, está na capital do país, Niamey, desde o começo da semana.

Depois de ser deposto, Gaddafi tem divulgado mensagens desafiadoras, prometendo lutar até a morte em solo líbio. Porém, ele cultivou ao longo das décadas sólidas amizades com seus vizinhos mais pobres, com os quais partilhava parte da riqueza petrolífera líbia.

As fontes disseram que o comboio, provavelmente incluindo oficiais de unidades militares do sul da Líbia, pode ter dado uma volta pela Argélia em vez de atravessar diretamente a fronteira líbio-nigerina. Na semana passada a Argélia concedeu refúgio à mulher de Gaddafi e a três filhos dele, irritando o governo provisório líbio.

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