ENTREVISTA-Abbas se diz pronto para negociar com Israel

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse nesta terça-feira que está preparado para negociar com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, desde que ele ofereça "algo promissor ou positivo".

MICHAEL STOTT E SAMIA NAKHOUL, REUTERS

08 Maio 2012 | 21h07

Falando à Reuters depois de Netanyahu anunciar uma grande coalizão que reforçará seu poder em Israel, Abbas disse que o premiê israelense precisa perceber que os assentamentos judaicos da Cisjordânia ocupada estão destruindo as esperanças de paz, e precisam parar de ser ampliados.

Abbas disse que é cedo para comentar a nova coalizão, que levou o partido centrista Kadima a aderir ao governo.

Na oposição, o Kadima culpava Netanyahu pelo fracasso no processo de paz com os palestinos. Seu dirigente, Shaul Mofaz, disse que a retomada das negociações, interrompidas há 18 meses, foi uma "condição férrea" para a adesão.

No mês passado, Abbas enviou a Netanyahu uma carta que foi amplamente vista como um ultimato, estabelecendo os parâmetros para a retomada do diálogo. Netanyahu deve respondê-la nesta semana.

O presidente palestino disse que não aceitará uma luta armada contra Israel, mas que não descarta retomar sua ofensiva diplomática unilateral pelo reconhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) ao Estado palestino, independentemente da conclusão do processo de paz com Israel.

"Se houver algo promissor ou positivo, é claro que vamos nos envolver", disse ele na sede da Autoridade Palestina, em Ramallah.

Ele previu que os Estados Unidos também poderão trazer ideias ao processo. A última tentativa de diálogo mediada pelos norte-americanos, em 2010, fracassou por causa da recusa israelense em paralisar a expansão de seus assentamentos.

"Se nada acontecer, nesse momento iremos às Nações Unidas para obter o status de não-membro", afirmou Abbas, referindo-se à possível votação na Assembleia Geral da ONU.

Por causa da oposição dos EUA no Conselho de Segurança, os palestinos não tiveram sucesso ao solicitar em 2011 sua adesão à ONU como Estado pleno. A Assembleia Geral não pode conceder a adesão plena, mas uma iniciativa palestina lá não pode ser vetada pelos EUA e uma votação bem sucedida ofereceria uma vitória simbólica.

Abbas reiterou nesta terça-feira que o fim da ampliação dos assentamentos da Cisjordânia é uma pré-condição para o diálogo. Cerca de 500.000 colonos israelenses vivem entre os 2,5 milhões de palestinos da Cisjordânia e Jerusalém Oriental, e a comunidade internacional não reconhece a legitimidade desses assentamentos.

Presidente da Autoridade Palestina desde a morte do dirigente Yasser Arafat, em 2005, Abbas disse que seu legado para os palestinos será "uma coisa: a segurança".

"Pergunte a qualquer um se vamos para a terceira intifada (rebelião anti-Israel). Vão dizer que não, que querem paz. Isso nunca aconteceu antes. As pessoas perceberam que por meios pacíficos podemos alcançar nossos objetivos."

Mais conteúdo sobre:
ORMED ABBAS ENTREVISTA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.