ENTREVISTA-Acordo ruim sobre Irã é pior que nenhum acordo, diz Israel

As potências mundiais não devem ceder a exigências do Irã em sua busca pelo fim dos projetos nucleares iranianos, disse um alto funcionário de Israel nesta quarta-feira, argumentando que Teerã tinha sido autorizado a “"ditar" os termos do acordo, apesar de estar vulnerável a sanções.

MICHAEL STOTT E CRIS, REUTERS

09 Maio 2012 | 15h08

Falando um dia depois de Israel formar um governo de unidade de forma inesperada, alimentando especulação de que uma guerra preventiva contra o Irã poderia estar sendo trabalhada, o vice-ministro de Relações Exteriores israelense, Danny Ayalon, manifestou cautela sobre uma resolução pacífica nas negociações internacionais com Teerã, que devem ser retomadas em 23 de maio.

"Nós queremos muito que as negociações tenham êxito, porque uma solução política é melhor do que qualquer outra opção", disse ele. "Ao mesmo tempo, um mau acordo seria pior do que nenhum acordo."

As conversações entre o Irã e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU --EUA, Grã-Bretanha, França, China e Rússia--, mais a Alemanha, foram retomadas no mês passado, mais de um ano após as potências terem fracassado em convencer Teerã a abandonar o enriquecimento de urânio. A próxima rodada de negociações está prevista para acontecer no final deste mês em Bagdá.

Os Estados Unidos e a União Europeia impuseram novas sanções sobre as exportações de petróleo do Irã este ano, e dizem esperar que isso possa forçar Teerã a fazer um acordo para conter um programa nuclear que, na opinião deles, visa a fabricação de uma bomba atômica.

Israel diz que pode atacar o Irã se acreditar que é a única maneira de impedi-lo de obter armas nucleares. Washington e Bruxelas vêm pedindo a Israel para não lançar qualquer ataque até que a diplomacia tenha uma chance, mas autoridades israelenses dizem que o tempo é curto.

Assim como Israel, as potências têm insistido que um acordo final exigirá que o Irã suspenda o enriquecimento de urânio. Mas o jornal Los Angeles Times disse no mês passado que Washington pode concordar em permitir que o Irã continue o processamento de urânio a 5 por cento de pureza físsil.

Se enriquecer mais, o urânio pode ser usado para abastecer ogivas. O Irã diz que não tem projetos militares e visa apenas a energia nuclear e isótopos médicos. O país afirma que nunca concordará em coibir o enriquecimento de urânio.

"O fato de ouvirmos alguns rumores sobre compromisso, sobre entrar em um acordo no meio do caminho aqui e ali, eu acho que é muito, muito perigoso", disse Ayalon à Reuters em uma pequena sala de conferências no Parlamento de Israel que, para funcionar como um abrigo de guerra, foi equipada com um filtro de ar industrial e paredes à prova de explosão.

"Permitir que o Irã mantenha o enriquecimento e a estocagem de urânio pode fazer Teerã optar por uma bomba "em muito pouco tempo", disse ele, acrescentando que os projetos já estavam se "acelerando".

Os prazos de Israel para o Irã têm sido muitas vezes mais urgentes do que os de seus aliados ocidentais. Mas, com o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, agora dizendo que os iranianos estão apenas a alguns meses de fortalecer suas instalações nucleares contra ataques aéreos, os temores de um novo conflito no Oriente Médio aumentaram no exterior.

A aliança de Netanyahu com o líder da oposição centrista Shaul Mofaz, na terça-feira, pareceu reforçar ainda mais Israel para a guerra. No entanto, a estratégia do Irã não apareceu nas negociações da coalizão dos dois líderes, disse um alto funcionário à Reuters, acrescentando que Israel potencialmente tinha até 2013 para decidir como enfrentar seu arqui-inimigo.

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