ENTREVISTA-Israel diz que pressão ao Irã evitará ataque

O Irã "vai piscar" se novas sanções contra o seu programa nuclear forem impostas rapidamente, e dessa forma outros países jamais precisarão cogitar uma ação armada contra a República Islâmica, disse um vice-ministro israelense nesta sexta-feira.

WILLIAM MACLEAN E MICHELE SANI, REUTERS

03 de fevereiro de 2012 | 21h11

O vice-chanceler Danny Ayalon afirmou à Reuters na Alemanha, onde participa de uma conferência, que as atenções da comunidade internacional deveriam se voltar para a quantidade de urânio enriquecido que o Irã já conseguiu guardar nas profundezas da usina subterrânea de Fardow, sua instalação nuclear mais protegida, ao sul de Teerã.

Ayalon estava respondendo à notícia, divulgada por um jornal dos Estados Unidos, de que o secretário de Defesa norte-americano, Leon Panetta, acredita que Israel poderá bombardear o Irã a partir de abril para impedir o país de desenvolver armas nucleares.

Os EUA compartilham com Israel a preocupação de que o Irã estaria desenvolvendo armas atômicas, algo que Teerã nega, dizendo que seu programa atômico se destina exclusivamente à geração de energia para fins civis.

"Não quero entrar em detalhes porque não acho que iremos necessariamente atingir essa bifurcação na estrada que leve a tal decisão por parte de todos nós na comunidade internacional, caso de fato sanções sejam impostas agora, e que os iranianos irão parar completamente suas atividades ilegais agora, e então talvez nem precisaremos discutir tais questões", disse Ayalon.

O jornal The Washington Post afirmou na quinta-feira, citando fontes não identificadas, que Panetta manifestou preocupação com a iminência de uma ação militar de Israel contra o Irã. A CNN disse ter confirmado essa informação.

Israel, que supostamente possui o único arsenal nuclear do Oriente Médio, acredita que a eventual obtenção de armas atômicas pelo Irã seria uma ameaça à sua existência, e por isso o Estado judeu não descarta bombardear instalações iranianas.

Nas últimas semanas, os EUA e a União Europeia intensificaram suas sanções ao Irã, que no entanto promete não abrir mão do seu programa atômico.

O principal alvo das novas sanções é a exportação de petróleo do Irã, que ameaça retaliar a isso fechando o estreito de Ormuz, único acesso ao golfo Pérsico, por onde passa grande parte do petróleo comercializado internacionalmente.

O chefe da inteligência militar de Israel estimou na quinta-feira que o Irã poderia produzir até quatro bombas atômicas se purificar mais o urânio que já tem em estoque, e que poderia fabricar sua primeira bomba dentro de um ano, caso assim deseje.

Em Munique, na Alemanha, Ayalon disse que Israel e os Estados Unidos concordam "absolutamente" não só sobre a necessidade de impedir o Irã de desenvolver a bomba, como também sobre como alcançar esse objetivo.

Ele disse que houve "passos muitíssimo positivos" no sentido de restringir as ações do Irã, incluindo as novas sanções da UE, embora algumas delas só devam entrar em vigor gradualmente ao longo dos próximos meses.

"Ainda não é suficiente, no sentido de que o prazo ainda é um pouco longo demais, acredito que o aperto deveria ser agora", disse Ayalon. "É uma questão de semanas e meses que pode fazer diferença."

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