ENTREVISTA-Não há solução militar para crise na Líbia, diz Otan

O chefe da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, disse na terça-feira que não arriscaria uma previsão de quanto tempo durará a missão militar da aliança na líbia, mas afirmou que a solução não poderá ser apenas militar.

REUTERS

29 de março de 2011 | 17h52

Ele fez a declaração depois que a coalizão internacional prometeu continuar com a ação militar contra o líder líbio, Muammar Gaddafi, e concordou em estabelecer um grupo de contato para coordenar os esforços políticos.

Rasmussen fez um chamado para que todas as partes busquem uma solução política o mais cedo possível.

"Não vou adivinhar", disse ele à Reuters quando indagado sobre quanto tempo poderá durar a missão da Otan e se poderia tornar-se um peso financeiro para os países membros da aliança, que já estão há muito tempo envolvidos no Afeganistão.

"Mas, de fato, espero que busquemos uma solução política para os problemas na Líbia o mais cedo possível. Claramente, não há solução militar, apenas, para os problemas na Líbia", afirmou ele.

A Otan concordou no domingo em assumir todas as operações na Líbia que vinham sendo realizadas por uma coalizão liderada por Estados Unidos, França e Grã-Bretanha, o que deixará a aliança integrada por 28 países como responsável pelos ataques aéreos que têm como alvo a infraestrutura militar de Gaddafi.

A Otan também será encarregada do mandado da ONU para impor uma zona de exclusão aérea na Líbia e o embargo à venda de armas ao país. Dirigentes da Otan dizem que seu planejamento prevê uma operação de 90 dias, mas o cronograma vai depender da ONU.

"Nós estamos lá para proteger os civis de ataques, mas para conseguir uma solução sustentável de longo prazo na Líbia precisamos de um processo político. Eu pediria a todas as partes envolvidas que busquem soluções políticas o mais cedo possível", declarou Rasmussen.

Na quarta-feira, as forças da Otan vão estar com a capacidade inicial para assumir operações militares na Líbia e devem estar plenamente em operação na quinta-feira, segundo a porta-voz da aliança, Oana Lungescu.

(Reportagem de David Brunnstrom)

Tudo o que sabemos sobre:
LIBIAOTANENTREVISTA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.