ENTREVISTA-Novo premiê líbio promete priorizar segurança

O novo primeiro-ministro da Líbia disse que vai se empenhar para melhorar a segurança no país, e, dois dias depois do letal atentado contra o consulado dos Estados Unidos em Benghazi, prometeu fortalecer a polícia e o Exército e recolher armas que foram espalhadas pela guerra civil do ano passado.

MARIE-LOUISE GUMUCHIAN E ALI SHUAIB, Reuters

13 de setembro de 2012 | 20h55

Mustafa Abu Shagour, eleito na noite de quarta-feira pelo Parlamento provisório como chefe interino de governo, disse à Reuters que vai reprimir as milícias que se recusam a depor armas, e que às vezes tomam a lei em suas próprias mãos.

"Vamos trabalhar vigorosamente em construir nossa força policial, nosso Exército, e vamos permitir aos nossos jovens, especialmente os revolucionários (...) uma oportunidade para se tornarem membros oficiais das nossas forças de segurança", afirmou ele, referindo-se aos ex-combatentes envolvidos na rebelião que derrubou o regime de Muammar Gaddafi no ano passado.

"Temos de lidar com essas milícias, porque algumas delas não têm nada a ver com a revolução, e estão compostas por um bando de criminosos. Precisamos desmantelá-las."

As milícias estiveram na linha de frente da rebelião contra Gaddafi. Muitas voltaram às suas cidades de origem ou se integraram às forças do governo, mas outras mantiveram suas armas, e com frequência exercem mais poder que as forças regulares.

O ataque de terça-feira ao consulado dos EUA em Benghazi, resultando na morte do embaixador e de três outros funcionários diplomáticos, foi mais um sinal da precariedade da segurança na Líbia.

"Teremos um programa vigoroso para devolver as armas às mãos do país. Teremos alguns incentivos, também algumas restrições, vamos permitir o licenciamento de armas leves para que as pessoas portem, mas as armas pesadas precisam voltar ao governo, não serão permitidas nas ruas."

Abu Shagour se disse "preocupado" com o que aconteceu em Benghazi, e afirmou que é preciso melhorar a polícia dessa cidade, berço da rebelião contra Gaddafi e agora um foco de violência.

Especialistas em segurança dizem que os arredores de Benghazi são reduto de vários grupos islâmicos que se opõem a qualquer presença ocidental em países islâmicos.

O novo premiê disse que se reuniu com diplomatas estrangeiros para discutir o ataque de terça-feira, motivado por um protesto contra um filme norte-americano ofensivo ao profeta Maomé.

"Asseguramos a eles (diplomatas) que vamos fazer tudo o que for possível para protegê-los, e já aumentamos as forças policiais em torno das embaixadas. Eles mostraram que vão ficar aqui e continuar apoiando a Líbia."

O novo chefe de governo, um acadêmico que estudou nos EUA, disse que "pouquíssimos" membros do atual governo serão mantidos no próximo gabinete.

"Eu gostaria de incluir pessoas de outros partidos políticos, e ao mesmo tempo precisaremos ter um equilíbrio geográfico - isso é muito importante para nós."

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