Enviado da ONU ao Oriente Médio vê motivo para esperança de paz

O enviado da ONU para o OrienteMédio, Michael Williams, manifestou um "otimismo cauteloso" naquarta-feira sobre as perspectivas de paz na região, com oaumento do diálogo entre israelenses e palestinos e doenvolvimento internacional. Mas, em seu relatório final ao Conselho de Segurança antesde deixar o posto, depois de apenas três meses, Williams disseque são necessárias medidas diplomáticas e práticas constantespara impedir que o processo de paz perca o fôlego. "Voltei (de uma visita à região) cautelosamente otimista,mas consciente dos muitos desafios que virão", disse ele. O britânico afirmou que o "diálogo significativo" que estáocorrendo entre o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e opremiê israelense, Ehud Olmert, e os esforços reformistas donovo governo palestino criaram "expectativas crescentes". A mais recente reunião entre Abbas e Olmert aconteceu naterça-feira. Segundo Williams, a nomeação do ex-premiê britânico TonyBlair para o posto de enviado internacional ao Oriente Médio,junto com uma diplomacia regional mais atuante e ospreparativos para uma conferência patrocinada pelos EUA emnovembro, sobre o Estado palestino, contribuíram para isso. A renovação do processo de paz foi um resultado paradoxalda tomada da Faixa de Gaza pelo grupo militante Hamas, emjunho. Embora a divisão do território palestino tenha sidocondenada pelos países árabes e pela Organização das NaçõesUnidas, ela permitiu a Abbas demitir o governo liderado peloHamas, controlar a Cisjordânia e restabelecer o diálogo comIsrael e o Ocidente. Mas Williams disse no relatório que Israel precisa amenizaras restrições de movimentação na Cisjordânia e acabar com asincursões no território, e que a Autoridade Palestina precisamobilizar "pessoal de segurança com credibilidade" nas ruas dascidades da Cisjordânia. Ele também afirmou que Israel precisa começar a reduzir asatividades de assentamento judaico na Cisjordânia, que "minam aesperança por um Estado palestino contíguo." Para Williams, as negociações de paz têm que "mudar demarcha, chegar a acordos concretos sobre questões a respeito dostatus permanente e os passos para a implementação" -- tarefaque não é fácil, mas "pode ser realizada". "Há esperança agora, coisa que não houve por sete anos. Umrevés neste estágio pode ter sérias consequências", disse. Williams, que sucedeu o peruano Alvaro de Soto no cargo emmaio, aceitou o posto de enviado britânico ao Oriente Médio donovo governo do premiê Gordon Brown. Ainda não há um nome parasubstituí-lo.

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