Enviado da ONU chega a Damasco e forças de Assad atacam rebeldes

O enviado de paz internacional Lakhdar Brahimi chegou a Damasco nesta quinta-feira, enquanto forças do governo atacavam os arredores da capital síria para expulsar os rebeldes que tentam manter um ponto de apoio no local.

ERIKA SOLOMON, Reuters

13 de setembro de 2012 | 15h21

A missão de Brahimi é desafiadora, já que nenhum lado do conflito entre rebeldes e o presidente Bashar al-Assad parece pronto para baixar as armas. Brahimi também não conta com o apoio necessário das potências mundiais e do Oriente Médio, que estão divididas.

Ativistas da oposição relataram que um caça estava sobrevoando e helicópteros atirando em subúrbios que abrigavam os rebeldes, que lutam para derrubar Assad após a queda de quatro outros autocratas árabes em revoltas populares nos últimos 18 meses.

"Há uma nova campanha sobre as partes orientais de Damasco", disse um ativista, falando via Skype da capital. "Os helicópteros estão sobrevoando e agora estão atirando no distrito de Zamalka."

O conflito de 17 meses de duração está aumentando, com mais de 27.000 mortos, e tomou conta de muitas áreas em torno da sede do governo.

As forças de Assad parecem estar tentando manter os combatentes da oposição fora do coração de Damasco, bombardeando com tanques, artilharia e helicópteros as periferias infiltradas de rebeldes.

Brahimi, um veterano diplomata argelino que substituiu o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan como chefe de uma missão de paz internacional sobre a Síria, iria se reunir com figuras da oposição e oficiais do governo, incluindo Assad.

"Há uma crise, ninguém nega isso", disse ele na chegada à capital síria. "Esperamos contribuir (para acabar com a violência) durante os próximos dias e semanas."

Mas a sua missão sofre com o fato de que as potências ocidentais, bem como as do Golfo Árabe, estão apoiando a oposição, enquanto Rússia, Irã e China apoiam o governo de Assad. O resultado tem sido um impasse no Conselho de Segurança da ONU, enquanto o número de mortos sobe e a contagem de refugiados supera os 200 mil.

DISTRITOS BOMBARDEADOS

Em Damasco, moradores disseram que o Exército Livre da Síria, um agrupamento das forças rebeldes, parecia ter se retirado do bairro de Tadamon, ao sul. Tropas foram colocadas em todo o distrito, de acordo com uma testemunha que visitava a área.

Tadamon, que viu bombardeios pesados e confrontos nas últimas semanas, foi parcialmente destruído. Casas estavam em ruínas, desintegradas-se pelo bombardeio ou por incêndios.

"Qualquer casa que tinha qualquer ligação com o Exército Livre da Síria foi destruída", disse um morador.

Explosões distantes abalaram o distrito, mas não houve combates em Tadamon nesta quinta-feira. Os moradores dizem que foram advertidos pelo Exército de que se eles deixassem os rebeldes voltar, os soldados voltariam para destruir as casas restantes.

Em outras partes da capital, a violência também está tomando um rumo sectário, refletindo os perigos de um conflito que está se tornando uma guerra civil total.

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