Enviado de Obama pede fronteiras abertas para trégua em Gaza

Em sua 1.ª visita à região, Mitchell afirma também que fim de tráfico de armas do Hamas é base para paz

Agências internacionais,

28 de janeiro de 2009 | 14h06

O enviado especial do presidente Barack Obama para o Oriente Médio, George Mitchell, desembarcou em Jerusalém nesta quarta-feira, 28, onde afirmou que um cessar-fogo permanente deve ser baseado no fim do tráfico de armas promovido pelo Hamas e na reabertura das fronteiras da Faixa de Gaza. O ex-senador reiterou seu pedido por uma trégua consolidada e afirmou que o cessar-fogo no conflito é de crítica importância.  Veja também:Israel bombardeia túneis na fronteiraHamas nega querer controlar fundos para reconstruir GazaLinha do tempo dos ataques em Gaza Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel História do conflito entre Israel e palestinos  Imagens das crianças em meio à destruição em Gaza  Horas antes de Mitchell chegar do Egito, onde cumpriu a primeira etapa de seu giro pela região com a missão encomendada pelo presidente americano, Barack Obama, de escutar todas as partes, a força aérea israelense bombardeou túneis usados para o contrabando na fronteira de Gaza com o Egito. Israel afirmou que a medida foi represália à morte de um soldado na terça-feira, cuja patrulha foi atacada por um explosivo na região da fronteira. Depois de dez dias de relativa calma após as tréguas declaradas no conflito em Gaza por ambos os lados, a violência voltou a ganhar força na terça-feira depois que um soldado israelense foi morto e as tropas promoveram incursões en Gaza, matando um palestino e ferindo outro. Os incidentes representam os primeiros grandes confrontos entre o Hamas e os militares desde 18 de janeiro. Os episódios enfatizaram a urgência da missão de Mitchell. O enviado de Obama se reuniu nesta quarta com o presidente de Israel, Shimon Peres e o premiê Ehud Olmert. Na quinta-feira, ele deve se encontrar com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, na Cisjordânia. O americano não vai se reunir com membros do Hamas. No Cairo, depois de conversar com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, Mitchell afirmou que era de "crítica importância que o cessar-fogo fosse estendido e consolidado". Ele indicou ainda que planeja viajar novamente para a região "num futuro muito próximo para continuar esse esforço", sugerindo que estas primeiras discussões são preliminares.  Nesta quarta-feira, o Exército israelense afirmou que três túneis na fronteira de Gaza com o Egito foram bombardeados nos esforços em prevenir que o Hamas consiga se rearmar com o contrabando de armas, levando pânico aos moradores de Rafah. O Exército atribui ao Hamas, que governa Gaza desde junho 2007, "a responsabilidade pela manutenção da calma nas localidades ao sul de Israel", e adverte que "responderá duramente a qualquer tentativa" que possa alterar a situação de cessar-fogo. Trata-se dos primeiros bombardeios nesse corredor desde que Israel e Hamas fizeram, separadamente, anúncios de cessar-fogo, cuja negociação, mediada pelo Egito, tinha objetivo de consolidar uma trégua de duração entre um ano e um ano e meio. Temendo uma nova espiral de violência, Ehud Barak adiou uma viagem que faria aos Estados Unidos, conforme informou o jornal Haaretz, e, no início da tarde, reuniu-se com o primeiro-ministro, Ehud Olmert, e a ministra de Relações Exteriores, Tzipi Livni, para avaliar a situação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.