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Enviado de Obama quer ação de Abbas contra bloqueio a Gaza

Mitchell diz que mecanismo para evitar contrabando de armas deve ter participação da Autoridade Palestina

Agências internacionais

29 de janeiro de 2009 | 12h00

O enviado americano para o Oriente Médio, George Mitchell, pediu nesta quinta-feira, 29, a abertura da fronteira comercial para a Faixa de Gaza com o envolvimento da Autoridade Palestina, apoiada pelo Ocidente. Após negociações em Ramallah com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, Mitchell disse a jornalistas: "Para termos sucesso em evitar o tráfico ilegal de armas em Gaza, temos de ter um mecanismo que permita o fluxo de bens legais, e isso deve ter a participação da Autoridade Palestina."  Israel impôs um rigoroso bloqueio na região costeira, alegando a necessidade de impedir que o Hamas obtenha armas. Mitchell, voltou suas atenções para o governo palestino na Cisjordânia nesta quinta, na tentativa de apoiar o cessar-fogo em Gaza e recomeçar amplas conversações de paz, mesmo que foguetes palestinos atinjam o sul de Israel e aviões israelenses ataquem novos alvos. Veja também:Bombardeio israelense fere oito palestinos em GazaHamas rejeita trocar soldado por abertura de fronteiraIsrael bombardeia túneis na fronteiraLinha do tempo dos ataques em Gaza Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel História do conflito entre Israel e palestinos  Imagens das crianças em meio à destruição em Gaza      O enviado designado pelo presidente americano Barack Obama tem agendado para mais tarde um encontro com o primeiro-ministro Salam Fayyad. Ele não vai se encontrar com integrantes do Hamas, que está na lista de grupos terroristas dos Estados Unidos, de Israel e da União Europeia (UE). Mitchell teve sua primeira rodada de conversações com líderes regionais no Cairo e em Jerusalém na quarta-feira, para determinar os próximos passos que a administração Obama irá tomar em relação à retomada das negociações de paz após a ofensiva militar contra o Hamas, que governa Gaza.  No entanto, uma explosão de violência de Gaza demonstrou a prioridade mais imediata, de apoio ao cessar-fogo de dez dias. Os palestinos dispararam um foguete em direção a Israel na manhã desta quinta-feira e moradores da cidade de Khan Younis, sul de Gaza, disseram que um ataque israelense no local feriu um homem que dirigia um motocicleta e cinco pedestres, dente eles crianças que voltavam da escola para casa. O Exército de Israel informou que o motociclista era um alvo porque estava envolvido num ataque a bomba, realizado na terça-feira, na fronteira entre Israel e Gaza, que matou um soldado israelense e feriu outros três. Depois das conversações em Jerusalém, na quarta-feira, com o primeiro-ministro israelense Ehud Olmert, Mitchell disse que a consolidação do cessar-fogo é "de crucial importância". Ele disse que uma trégua de longo prazo deve ser baseada no "fim do contrabando e na reabertura dos postos de fronteira" para Gaza. A visita de Mitchell ao Oriente Médio acontece apenas uma semana depois de Obama ter tomado posse, sinalizando que a nova administração deseja fazer da região uma prioridade. O enviado não revelou detalhes de suas reuniões e não há entrevistas coletivas agendadas para o período de sete dias de sua viagem. Ofensiva Num encontro na noite de quarta-feira, a ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, disse a Mitchell que apenas um acordo de paz que garanta a segurança de Israel poderia conquistar a provação da população israelense. "Para que as negociações de paz tenham sucesso, Israel precisa continuar sua guerra contra o terror onde quer que ele exista e seja direcionado contra nós", disse ela, segundo seu escritório. Mitchell disse que os postos de fronteira deveriam ser abertos com base num acordo de 2005 intermediado pelos Estados Unidos que colocou a principal passagem entre o Egito e Gaza sob a administração da Autoridade Palestina, de Abbas, com monitores europeus no local para evitar o contrabando. Porém, o Hamas quer participação na administração dos postos de fronteira em reconhecimento ao seu poder no território.  Olmert disse a Mitchell na quarta-feira que o poder do Hamas em Gaza "precisa diminuir" e que Abbas precisa "ganhar apoio" em Gaza, segundo um auxiliar de Olmert, que falou sob condição de anonimato. Olmert disse que os postos de fronteira entre Israel e Gaza "só serão abertos permanentemente" depois da libertação do soldado israelense Gilad Shalit, capturado em Gaza em junho de 2006, disse o auxiliar. Na quarta-feira, no Catar, o líder supremo do Hamas, Khaled Meshal, disse que o grupo não vai ligar a abertura dos postos de fronteira à libertação do soldado israelense. O Hamas quer que Israel liberte centenas de prisioneiros palestinos em troca de Shalit. (Matéria atualizada às 14h20)

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