Enviado de Obama reitera apoio à criação de Estado palestino

George Mitchell está em Israel na 1ª reunião com o novo governo do país para ressaltar solução de 2 Estados

Agências internacionais,

16 de abril de 2009 | 07h51

O enviado dos Estados Unidos ao Oriente Médio, George Mitchell, ressaltou nesta quinta-feira, 16, perante o chanceler de Israel, o ultranacionalista Avigdor Lieberman, que Washington defende uma solução de dois Estados para o conflito palestino-israelense. Lieberman disse que amplas concessões feitas aos palestinos no passado "resultaram em guerras" e seu país precisa de uma "nova abordagem", no mais recente indício de divergências entre o novo governo conservador israelense e Washington.

 

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Na reunião com Lieberman, Mitchell reiterou o apoio do governo americano à criação de um Estado palestino independente, soberano e viável, noção que vem guiando nos últimos anos os esforços de paz apoiados pelos EUA para a região. "O ministro resumiu o processo de paz desde o acordo de Oslo (1993) aos dias de hoje e observou que essa abordagem história não trouxe resultados nem soluções até o momento", diz nota divulgada pela assessoria de imprensa de Lieberman. "O ministro também disse que o novo governo terá de elaborar novas ideias e também adotar uma nova abordagem."

 

"A política dos EUA favorece uma solução de dois Estados, um Estado palestino vivendo em paz junto ao Estado judeu de Israel", afirmou Mitchell em breve declaração à imprensa ao final de uma reunião com Lieberman na Chancelaria israelense, em Jerusalém.

 

O americano faz sua terceira visita à região desde janeiro passado, quando foi designado no cargo. Porém, essa é a primeira que faz desde a posse do novo governo israelense. Lieberman, dirigente do partido ultradireitista Yisrael Beiteinu, já havia assegurado recentemente que seu governo não está ligado ao processo de paz de Annapolis, impulsionado em novembro de 2007 pelo governo Bush e que tem como fim a criação de um Estado palestino.

 

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e outros funcionários do alto escalão do governo israelense têm se esforçado para enfatizar a importância das relações estratégicas e de amizade entre Israel e os Estados Unidos. Mas tem sido impossível disfarçar as divergências existentes com relação às visões de cada um sobre a possibilidade de paz entre israelenses e palestinos.

 

Mitchell ainda não se reuniu com Netanyahu. O encontro está previsto para a noite desta quinta. Netanyahu ainda não apresentou seus planos para os esforços de paz, mas é notoriamente contrário a um Estado para os palestinos. Ele tem falado em mudar a ênfase das discussões para o estímulo à economia palestina, deixando a questão da independência para um estágio futuro e indefinido.

 

Mais cedo, Mitchell reuniu-se com o presidente Shimon Peres, que buscou minimizar as divergências entre Tel-Aviv e Washington. "A posição do presidente Obama e seus esforços pela paz nesta região são os mesmos de Israel", assegurou Peres a Mitchell, segundo transcrição de parte do encontro divulgada pela assessoria de imprensa do chefe de Estado israelense.

 

Peres também buscou afastar temores de que Israel possa vir a bombardear o Irã por causa do impasse em torno do programa nuclear de Teerã. "A conversa sobre um possível ataque israelense ao Irã não é verdadeira", assegurou Peres a Mitchell, prossegue a transcrição. "A solução com relação ao Irã não é militar". Israel considera o Irã a principal ameaça militar a sua existência e acusa o Irã de desenvolver em segredo um programa nuclear bélico. O governo iraniano nega, assegura que suas usinas atômicas têm fins estritamente pacíficos de geração de energia elétrica e já declarou em diversas ocasiões que não pretende interromper suas atividades nucleares.

 

Matéria atualizada às 11h30.

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