Enviado dos EUA adia viagem a Israel devido à crise dos assentamentos

George Mitchell é o responsável pela mediação das negociações de paz com palestinos

Efe,

16 de março de 2010 | 08h18

JERUSALÉM - O enviado dos EUA para o Oriente Médio, George Mitchell, adiou sua chegada à região, prevista para esta terça-feira, por conta da crise causada pela decisão de Israel, que anunciou a construção de 1.600 habitações em território palestino ocupado.

 

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"A embaixada dos EUA em Israel entrou em contato com a presidência na manhã desta terça informar que o enviado especial não chegará a Israel", diz um comunicado divulgado pelo gabinete do presidente Shimon Peres, com quem Mitchell ia se encontrar nesta tarde.

 

A nota de imprensa não indica as razões do adiamento, mas fontes americanas citadas pelo jornal israelense Yedioth Ahronoth garantem que o enviado não quer visitar a região sem uma resposta às exigências para retomar as negociações indiretas de paz com os palestinos. "Não é que não queiramos ir pela crise que surgiu, mas é complicado fazê-lo antes de ter as coisas mais claras", declarou a fonte.

 

Na sexta-feira passada, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, manteve contato telefônico com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para mostrar insatisfação com a decisão de construir os imóveis em um bairro judaico em uma zona do norte de Jerusalém ocupada por Israel em 1967.

 

A aprovação do projeto pelo Comitê de Planejamento Urbanístico do Distrito coincidiu com a visita à região do vice-presidente americano, Joe Biden, o que gerou uma crise diplomática sem precedentes desde meados dos anos 70 entre os dois países.

 

Hillary também exigiu que Netanyahu suspendesse todas as construções no território ocupado de Jerusalém enquanto durarem as negociações, incluindo nelas problemas básicos do conflito. A secretária também pediu a libertação de presos vinculados ao movimento Fatah, como gesto de boa vontade para o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

 

Na segunda-feira, durante visita do presidente Lula a Israel, Netanyahu insistiu que seu país seguirá construindo em toda Jerusalém "como fizeram seus antecessores nos últimos 42 anos". O depoimento foi recebido como um novo desafio. A postura fez com que a ANP cancelasse na semana passada sua participação nas negociações indiretas que Mitchell realizaria para resgatar o processo de paz até que Israel anule o projeto construções.

 

Durante uma entrevista coletiva, o porta-voz do Departamento de Estado americano, Philip Crowley, assegurou que Mitchell "chegará a Israel esta semana", mas não disse uma data. A imprensa local informa que Netanyahu tentará aparar arestas com o governo dos EUA em um novo encontro com Biden, desta vez em Washington.

 

O primeiro-ministro viajará na semana que vem aos EUA para participar da reunião anual do "lobby" israelense no Congresso americano, conhecido como Aipac. Fontes de seu escritório consultadas pela Efe não comentaram qualquer detalhe sobre o possível encontro com Biden.

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